sábado, 29 de dezembro de 2018

O EVANGELHO QUE A BÍBLIA DESCONHECE!

Poderia chamá-lo de anacrônico... mas não seria a realidade total. Poderia chamá-lo de esdrúxulo, e não seria toda a verdade. Há quem o chame de evangelho do umbigo. Li recentemente um artigo sobre o “evangelho chupa cabra”.  Enfim, todas essas definições são pra dizer que o meu coração de pastor, com mais de trinta e sete (37) anos de lide, anda muito taciturno com o que vejo na igreja evangélica brasileira, com raras exceções. 

Vejo um evangelho ao mesmo tempo anacrônico e esdrúxulo. Um evangelho que não é aquele ensinado por Jesus e seus discípulos.  Não é o evangelho da vida cristã autêntica.  Não é o evangelho dos heróis da fé. Não é o evangelho cujo centro é o Senhor Jesus. Estou conhecendo um evangelho que a Bíblia, verdadeiramente desconhece. Vou nomear algumas esquisitices que percebo hoje em nome do evangelho, da Bíblia, de Deus. Vou, simplesmente, definir algumas coisas que tenho visto em algumas igrejas. Esquisitices evangélicas. 

Pastores há que saem de seminários e faculdades teológicas sem conhecerem a Bíblia; ou não se importam com ela. São picados pela mosca “hollywoodiana”. Preferem viver o “glamour” dos focos luminosos do mundo, do que a humildade de Jesus que, mesmo sendo Deus, esvaziou-se de si mesmo (Filipenses 2). A Bíblia é algo meramente secundário em suas vidas. Um livro de estante. Por isso, o culto que praticam é aquele onde a palavra pregada é vazia e estéril. Quase sempre um amontoado de filosofias e psicologias alheias à Bíblia; relegada a alguns minutos corridos na parte final do culto. Fui convidado a pregar numa igreja, num culto jovem (sic). Fui avisado que o culto terminaria as 21:00 horas. Depois de uma hora e quinze minutos de “louvor e adoração gospel”, e mais alguns de avisos, passaram-me a palavra para a mensagem. Não tive dúvidas: li o texto e avisei que o tempo tinha acabado. Fui embora. Afinal, para esse tipo de “platéia” (e não servos de Cristo), uma mensagem bíblica seria pedante e anacrônica. Certamente iriam me deixar sozinho!

Esse tipo de pastor “hollywodiano” quer toda atenção para si. Os cultos são pândegos. O púlpito vira palco e picadeiro. A membresia de servos não existe... apenas platéia. O negócio é cantar, dançar, gritar e, pasmem, profetizar o que nunca ouviram. Num desses cultos, faz alguns anos, na cidade de Diadema (SP), uma “pastora”, com a maior cara de pau “profetizou” que ouvira de Deus que uma determinada irmã, solteirona, da “platéia” iria se casar com um homem que, também, estava na “platéia”.  Poucos meses depois os dois estavam casados... afinal, fora revelação profética. Nem é preciso dizer que o casamento não durou seis meses. 

A pastorlatria, e ou, autolatria, chega ao cúmulo quando não mais se ouve falar de “igreja tal (batista, metodista, presbiteriana, assembléia, etc.). O que mais se ouve é “a igreja do apóstolo tal, do bispo tal, do pastor tal).  Menos ainda se ouve dizer: - A igreja de Jesus Cristo a qual sirvo! Fora isso há as toalhas abençoadas com o suor do dito cujo, os vidrinhos com água do rio Jordão, o óleo ungido e outras tantas esquisitices de um “evangelho” (sic) que não é o da Bíblia. 

Os cultos nesses arraiais só são bons se houver um estado de catarse profundo. As pessoas devem sair dos “cultos” suados de tanto glorificar.  Assisti (o que é diferente de participar) a um culto na cidade de Jundiaí (SP), onde o preclaro pastor – já falecido - levava a igreja inteira a gritar e pular bem alto para que, ao bater o pé no chão, esmagasse a cabeça de satanás. Só rindo! Até parece que Cristo já não fez isso. Aquilo mais parecia uma academia onde as pessoas praticavam aeróbica. 

Igrejas há onde a mensagem sobre inferno, salvação, perdão, reconhecimento de pecado, vida cristã, senhorio de Cristo inexiste faz muito tempo. O negócio é deixar a “platéia” feliz e garantir a prosperidade. Isso é hedonismo, não cristianismo. Não compromisso sério com Jesus Cristo. As pessoas não mais se preocupam em parecer com Cristo, mas em parecer com o mundo e seus atrativos. Não existe um chamamento ao compromisso e a fidelidade a Jesus Cristo. 

Pertencer a Cristo é outra coisa. Pertencer a Cristo é ser servo dEle! É submeter-se à Sua soberana vontade. Quem, de verdade, pertence a Cristo é feliz, apesar das vicissitudes da vida. A pessoa que pertence a Cristo é feliz porque luta diariamente pela sua santificação; reconhecendo que é miserável pecador e totalmente dependente da graça de Jesus Cristo. 

Parece que nessas igrejas não se conhece a galeria dos heróis da fé de Hebreus 11. Não se conhece a história de Policarpo, de C. S. Lewis, de Richard Wurmbrand, Dietrich Bonhoeffer, do apóstolo Paulo, do pastor Youcef e tantos outros que morreram, ou quase, pela fé em Cristo. Nessas igrejas não se tem conhecimento de textos como o de Marcos 13:9-13. A teologia da prosperidade - e similares - só sabe usar “posso tudo naquele que me fortalece”, totalmente fora do contexto (assim vira pretexto), pois não conhece o que é hermenêutica. Os fins são escusos. Foi Jesus quem disse: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mt. 6:33-34 NVI).

“Duas filhas tem a sanguessuga. Dê! Dê!, gritam elas” (Provérbios 30:15). Creio que este é texto básico dessas teologias, sem verificação do contexto. O que se vê é uma ridícula criação de novas teologias sem quaisquer ligações sérias com a Bíblia Sagrada. A mim me parece que cada “inventor de uma nova teologia” a patenteia como sua e nem quer saber se Jesus Cristo a aprova. Afinal, o “santo homem de Deus” é intocável e sua palavra está acima da Palavra de Deus... e ainda criticam o catolicismo pelas bulas e encíclicas papais. Que evangelho diabólico é esse!

O que sabem dizer é “Dê! Dê!”, como abutres e sanguessugas modernos estribados em qualquer coisa, menos na Palavra de Deus, embora a usem amiúde e inescrupulosamente. Interessante que após sugar até a última gota... largam suas presas ao relento, aos seus problemas e dificuldades. Afinal, já serviram aos seus instintos carnais. Que o digam os milhares de “desigrejeiros” (esse termo eu li em um artigo do saudoso Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho).

Falando em pastor Isaltino Gomes, recomendo aos meus leitores a leitura de um artigo dele intitulado “Religião ou Magia”. Lá, ele trabalha a questão de que os “cristãos” confundem religião com magia e o fazem em cima de três fatores: a) A Bíblia vista como livro de receitas mágicas; b) o pastor que é visto como pajé; c) e o culto entendido como manipulação de forças espirituais. Vale a pena ler o artigo. Ele é um em quem cabe com justiça Hebreus 11:4c “Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala”.

“De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:12 NVI). “... pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele...” (Filipenses 1:29 NVI). Por que quase ninguém ensina mais esses textos? Dietrich Bonhoeffer foi enforcado no campo de concentração de Flossenburg, na Alemanha, em 09 de abril de 1945, por causa de sua fé. Ele deixou escrito que o sofrimento é o sinal do verdadeiro cristão.

O cristianismo precisa voltar às suas origens bíblicas. Precisa deixar de ser egocêntrico e ser o que sempre deveria ser: CRISTOCÊNTRICO. Ah, se a igreja e os líderes se espelhassem no apóstolo Paulo que teve a ousadia de dizer duas coisas que me estremecem. A primeira está em Gálatas 6:17: “Sem mais, que ninguém me perturbe, pois trago comigo as marcas de Jesus” (NVI). A segunda está em I Coríntios 11:1: ‘Tornem-se meus imitadores, como eu sou de Cristo” (NVI).

No campo que trabalho, no meio batista, com tristeza vejo a mesma coisa: evangelho anacrônico, superficial, pueril, antropocêntrico... e muita falta de amor de “uns para com os outros”.

Quais as minhas marcas espirituais que me identificam como seguidor de Jesus Cristo? Quais as marcas espirituais que deixam essas igrejas e líderes que os marcam como servos de Jesus Cristo? Pobres igrejas e miseráveis líderes. Deus vai pedir contas. Definitivamente... esse evangelho não é o verdadeiro evangelho deixado por Cristo e seus discípulos: o evangelho da Bíblia.  Amém 



METAS ESPIRITUAIS PARA O NOVO ANO - João 4:31-38

Poucas horas para 2019. Duas coisas são absolutamente comuns em todos finais de ano: um balanço do ano que se finda e novas promessas para o ano novo. Arrependimento pelo não cumprimento das metas propostas e os famosos “agora vai” ou “este ano acontece”. Poucas vezes alguém se pergunta: o que é que Deus deseja de mim durante o novo ano? Qual a vontade dEle para minha vida e família?

Jesus é o exemplo supremo para os cristãos. Vêem-me à mente o episódio de Jesus com a mulher samaritana em João 4:27-38. Algumas lições são claras e merecem reflexão no apagar deste ano e limiar de um novo. Eis os fatos:


O CONTEXTO. Os discípulos tinham ido a Sicar comprar alimentos para suprir a fome deles e do Mestre. Voltaram e viram-no conversando com uma mulher, o que era estranho para a cultura local à época. Silentes ficaram até que ela se retirou. Jesus estava exausto, cansado e faminto. Insistiram para Jesus comer. No original o “insistir” está no tempo imperfeito, ou seja, insistiram por várias vezes para que Jesus comesse. O Mestre tinha algo a ensinar aos discípulos. E esse algo era muito mais importante que a fome material.

A PRIMEIRA LIÇÃO. A resposta de Jesus é enfática. Dura... mas doce. O espiritual tinha prioridade sobre o material. Quando o espiritual é prioritário na vida do cristão, a fome material é relevada a segundo plano. Embora pareça misteriosa, a resposta de Jesus é objetiva: a comida mais importante e que, realmente, faz a diferença espiritual, devendo ser o alvo de todo cristão no ano novo, e sempre, é: Primeiro: “fazer a vontade de Deus” (34a), ou seja, levar o evangelho a uma pecadora. Segundo: “concluir a sua obra” (34b), ou seja, buscar e salvar o perdido.

Que cada cristão, no novo ano, esteja disposto a estabelecer como meta prioritária, alimentar-se mais da comida que Deus deseja para nossa nutrição espiritual: Fazer a vontade dEle e concluir a obra que o Pai deu aos seus filhos.

A SEGUNDA LIÇÃO. Quando chegou o tempo determinado por Deus, este enviou ao mundo seu Filho amado (Gl. 4:4-5) para redimir a humanidade dos seus pecados. O mundo de então, como hoje, estava vivendo dias caóticos, revolucionários. Muita ebulição. Coisas novas acontecendo. Dentre elas, tensão política. Afinal, o mundo recebia a notícia da chegada de um novo Rei. Obedecer a quem? Roma ou Jesus? O povo de Deus vivia marcante tensão religiosa. Deus fizera aliança com Israel. Agora, Cristo e os apóstolos pregavam uma Nova Aliança, onde todos caberiam. Além disso, a mensagem econômica tinha nova vertente: buscar primeiro o Reino de Deus (o espiritual) e não as riquezas. Confusão total. Assim nascia o cristianismo.


Por isso, o cristianismo desenvolveu-se em meio a perseguições e muitas lutas. Lutas entre antigos valores religiosos e os novos valores do Cristo. Quase nada mudou. O cristianismo continua vivendo sob tensão. Há a dualidade: viver neste mundo e não ser deste mundo. Não participar das “coisas deste mundo”, mas, ver-se impelido a amar o mundo com o amor de Jesus Cristo, a única esperança.


Como salvos e servos, o cristão precisa ver tudo com um novo velho olhar: o de Cristo. Por isso Jesus disse: “abram os olhos” (35), ou seja, vocês não estão vendo, mas, há muita gente perdida, necessitando do puro evangelho. Disse também: “estão maduros para a colheita”, ou seja, há gente de todos os tipos faminta de Deus. Essas pessoas precisam receber o evangelho, as boas novas. É preciso ir até elas, porque elas não vão até as igrejas onde o verdadeiro evangelho é pregado. Jesus foi até a mulher, viu sua necessidade e, até, perdeu a fome física. Ah. Jesus tinha um olhar diferente sobre o mundo.

Deus vê, sempre, gente faminta do evangelho. O cristão salvo e servo, precisa, também, ter a mesma visão do mundo que Jesus tinha... e obedecer ao IDE.

A TERCEIRA LIÇÃO. Jesus sempre deixou claro que o cristianismo não é religião de contemplação, de subir no monte, de fuga da realidade. Jesus sempre foi ousado, corajoso, versátil. Jesus nunca se importou com a cor, idade, gênero, cultura, sabedoria e outras diferenças. Jesus amou e se importava com as pessoas. Para tanto, escolheu doze discípulos. Homens que não tinham medo de sangrar as mãos no arado e na foice espirituais para levar as Boas Novas a todas as gentes. Por isso, Ele disse: “Eu os enviei para colherem...”(38). Então, o cristão servo é enviado e precisa ir, não ficar. Ele não enviaria se não soubesse que haveria colheita abundante.  Afinal “os campos estão maduros para a colheita” (35b). Há duas certezas absolutas ditas por Jesus: a) Jesus é aquele que prepara os campos para a ceifa; b) Não haverá colheita se os cristãos não forem servos e obedientes.


Como discípulos de Cristo, o cristão precisa ser servo e obediente; consequentemente, sempre disposto a botar a mão no arado e na foice para realizar a grande colheita de vidas para o Reino de Jesus Cristo.

Em não havendo disposição para botar a mão no arado e, também, empunhar a foice para colheita, as metas para o novo ano serão frustrantes e não condizentes com aquilo que o Mestre requer dos seus filhos. Ou mais, o membro de igreja ainda não experimentou a verdadeira transformação (metanoia) que só Jesus pode realizar. É preciso que todos passemos pela “loucura da cruz”. Amém.





CARNAVAL 2020! O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA!

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