Depressão IV – “Como ajudar”. O depressivo dá sinais
por muito tempo. É preciso estar atento! Família e amigos próximos são os que
mais podem ajudar na percepção do problema. Depressivos são, normalmente,
pessoas em extrema passividade. Vivem desmotivadas e, dificilmente, se motivam.
A característica básica é a resignação. Normalmente, na tentativa de ajuda por
parte de alguém, o depressivo se expressa: “já tentei, não vale a pena” ou “eu
sei, mas, não vejo saída”; ou ainda, “cheguei no meu limite” e outra frases
correlatas.
As crises são os momentos mais terríveis do que sofre
depressão. Vem o choro, a tristeza lancinante, o isolamento e, até, a tentativa
de suicídio. A família e os amigos são essenciais nessa hora. Os mais chegados
precisam estar prontos, aptos e disponíveis para escutar e acolher... pois,
tudo que a pessoa precisa é de um bom ouvido, de atenção, de cuidado. Li a
seguinte frase de Roberto Grellert (do CVV): “Na hora de
acolher, é preciso respeitar o tempo do paciente, manter-se sensível, empático
e acompanhá-lo sem pressa. Para isso é importante focar na pessoa, seus
sentimentos, valores e possibilidades”. Os parente e amigos, por mais trabalho
que dê, precisam entender que, nesses momentos, o que a pessoa depressiva
necessita é DE GENTE! Mas, de gente com elevada autoestima, com positivismo,
com disponibilidade para ajudar corretamente. Não é a hora para sermões ou
lições moralistas. É hora de empatia, compreensão, conforto, respeito e
informações corretas de como a depressão pode afetar e causar transtornos.
Estimule o depressivo a fazer catarse¹ e ouça atentamente... olho no olho. A
seguir seguem algumas sugestões simples para não profissionais, até que o
depressivo possa receber ajuda especializada.
a) Evite
deixar o depressivo só. Solidão é algo terrível para o depressivo. Ele
precisa ter sua mente e corpo ocupados. Ele precisa muito de gente ao seu
redor. Todos ao redor precisam se tornar uma família unida. Sempre, aqueles que
estendem a mão para ajudar, acabam recendo mais ajuda. É uma via de mão dupla.
Ao ajudar o depressivo, a pessoa também é ajudado e, dificilmente, virá a se
tornar um deprimido. A igreja – independente de credo – precisa ser um pronto
socorro espiritual e emocional. Por que as igrejas não se preocupam tanto com
isso? Por que as igrejas não fazem, também, algo como grupo de “depressivos
anônimos”? Quantas pessoas seriam ajudadas e, inclusive, poderiam ser levadas a
conhecerem o senhorio de Cristo e a consequente salvação? A Bíblia é uma
enciclopédia sem fim e com finalidades múltiplas. Não apenas para a salvação...
mas, também, para tratar os feridos da alma, os traumas, as crises existenciais
e muito mais. Veja alguns exemplos!
Paulo, o apóstolo, certa vez, sentiu-se triste e
abandonado (II Timóteo 4:9-18). Sentiu-se abandonado e reclamou disso. Afirmou
que sentia a solidão e estava muito triste. Precisava sentir o carinho de
pessoas amigas e confiáveis. Escrevendo a igreja de Colossos (4:7-14), Paulo
escreve o nome de alguns companheiros e diz que “eles têm sido fonte de ânimo
para mim” (vs. 11b). Esses animaram Paulo e o ajudaram a não entrar em
depressão. Quando, num momento de desespero, Elias fugia da rainha Jezabel,
precisou de consolo. Não havia gente por perto. Portanto, Deus mesmo precisou
enviar um anjo para confortá-lo (I Reis 19). Qual foi o conforto? Além da
presença de um anjo, este garantiu que Elias tinha uma multidão de sete mil
pessoas com quem ele podia contar. Perto do momento de enfrentar-se com a
morte, o próprio Jesus sentiu-se angustiado. Que fez? Chamou três discípulos para
estarem e orarem com Ele (Mateus 26:37-39). O próprio Filho de Deus
angustiou-se numa “tristeza mortal” (vs. 38). Outras figuras bíblicas poderiam
ser citadas, porém, estas bastam para garantir que todos os mortais, cristãos
ou não, passam por momentos de depressão. Em todas eles, esses personagens
precisaram da presença de pessoas amigas para darem o conforto e a ajuda
necessárias.
b. Necessidade
de ajuda espiritual, emocional e profissional. O ideal é a ajuda
concomitante. Não é hora de juízo de valor. Não há desonra alguma em tomar
medicação antidepressiva, por certo tempo. Conselheiro religioso, psicólogo e
médico precisam falar a mesma língua e, também, trabalharem em conjunto em
favor do depressivo. Entretanto, cada caso deve ser tratado de forma individualizada.
As origens da doença são diferentes, os sintomas também e, portanto, o
tratamento também. O importante é que os profissionais se respeitem e queiram
apenas ajudar o paciente e, por isso, abram mão do individualismo e formem uma
equipe multifuncional em favor do doente (porque depressão é doença). Um alerta
a religiosos (pastores, padres e outros): se esses conselheiros forem leigos,
entendam que não têm condições técnicas de fazer avaliação psicológica ou
médica. Não ouse decidir sozinho que os sintomas físicos são somáticos. Não
avalie sozinho se a depressão tem se expressado por origens psicológicas,
mentais ou físicas. Entretanto, um religioso criterioso e aberto, poderá ser de
altíssima valia no tratamento. É preciso que todos os profissionais estejam
abertos ao compartilhamento entre si.
c. O
depressivo é parte integrante do processo. Todos os profissionais
precisam, definitivamente, entender que o paciente depressivo é parte
integrante do processo de cura. Por isso, todo o processo e motivos da
depressão têm que ser discutidos com o doente. Transparência, sinceridade,
franqueza, respeito, empatia... são extremamente necessárias. O depressivo não
mais confiará se perceber que estão escondendo algo dele. Qualquer atitude na
busca das causas passadas, precisam ser discutidas com o paciente. Ele precisa
sentir que os profissionais são competentes, amigos e o querem ajudar de
verdade.
d. O estímulo
ao pensamento realista. Ao instalar-se a depressão, normalmente, o
sentimento que fica é sempre negativista e de autocríticas infundadas. As
expressões mais comuns são em torno de: “Não valho nada”; “Ninguém gosta de
mim”; “Nada que faço está certo”; “não tem mais jeito” e outras parecidas. Precisa
ser estimulado a entender que ninguém é perfeito e que, possivelmente, só tenha
cometido um erro... como todo mundo. Assim, seu fracasso momentâneo não
significa que “não valha nada” ou “nunca faz nada certo”. Infelizmente há um
cristianismo equivocado sendo pregado por aí. Um cristianismo onde a pessoa é
levada a pensar que os seres humanos precisam sempre estar alegres, felizes,
pra cima. Nesse tipo de cristianismo não há lugar para aborrecimentos e
tristezas. Ao perceber que a vida tem “vales sombrios” e “dias maus”, o cristão
se percebe um fracassado espiritual e, normalmente, a depressão jaz à porta. A
solução passa por uma drástica mudança de atitudes com os pensamentos. Por
isso, a pessoa precisa de ajuda, jamais de crítica.
e. Mudança de
ambiente. Isso precisa ser levado em conta. A família e amigos precisam
pensar seriamente nisso, se for preciso. Pode ser necessária a mudança da
rotina diária. Aí pode ser incluída uma boa féria longe do ambiente costumeiro,
redução de jornada de trabalho e, até, passeios e atividades amiúde, em
conjunto, com a família. A família precisa entender que ela também está doente
e precisa aprender – com profissionais – o que deve fazer para ajudar o
depressivo.
f. Questão de
fé. Estes artigos são direcionados basicamente a cristãos, ou seja,
pessoas que crêem em Deus e naquilo que a Bíblia ensina. Não poucas vezes,
diante de situações críticas e nas passagens pelo “vale da sombra da morte”, o
cristão tende a duvidar da sua fé e passa a achar que Deus não olha para ele. É
preciso estimular a estudar e perceber a maneira de Deus agir. Quase sempre,
Deus age de forma diferente daquela que as pessoas desejam. O método de Deus é
sempre o melhor, afinal, Ele não vê apenas o presente... mas, todo o amanhã.
Por exemplo, o apóstolo Paulo aprendeu a viver de forma feliz e em
contentamento em qualquer situação (Filipenses 4:2-13). Veja que no verso 12
ele diz que aprendeu a “... viver contente em toda e qualquer situação...” Há
que se aprender que Deus dá forças necessárias em qualquer situação. Por isso,
será bom um estudo sistemático, profundo e honesto dessas questões, à luz da
Bíblia, com o depressivo. O depressivo cristão precisa ser levado à convicção
de que Deus controla tudo e sabe, exatamente, das fraquezas e fortitudes de
cada pessoa. Isso pode levar ao encorajamento na luta contra a depressão.
Sempre haverá uma esperança... com Deus!
Davi passou por depressão profunda a ponto de exclamar
”Direi a Deus, minha Rocha: Por que te esqueceste de mim? (...) Até os meus
ossos sofrem agonia mortal (...) Por que você está assim tão triste, ó minha
alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim?” (Salmo 42:9-11 NVI). O
homem Davi muito lutou e aprendeu até poder falar à sua alma: “Ponha a sua
esperança em Deus! Pois ainda O louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus”
(43:11b) e ainda no Salmo 43:4 pode rejubilar dizendo “Então irei ao altar de
Deus, a Deus, a fonte da minha pela alegria. Com a harpa te louvarei, ó Deus,
meu Deus!”
O cristianismo equivocado tem produzido mais loucos e
deprimidos que o mundo ímpio. Jay Adams em seu livro “Conselheiro Capaz” mostra
isso com rara clareza. Se puder, leia. O cristianismo verdadeiro, autêntico e
bíblico tem a solução. E ela passa por ajuda espiritual e profissional, juntas.
O que tem faltado são verdadeiros “homens de Deus” que não estejam preocupados
com o aqui e agora e, muito menos, com a prosperidade financeira. Homens de
Deus que estejam preocupados em levar ao mundo o cristianismo bíblico, ou seja,
autêntico, verdadeiro e que cura, salva, perdoa. Até o próximo!
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1. Catarse. Termo da biologia transportado para a psicologia. É a operação
de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente,
liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio. Liberação
de emoções ou tensões reprimidas.

Me ajudou bastante o texto. Tenho conhecimento das passagens bíblicas , entretanto, não tinha esse entendimento. Recentemente iniciei um diálogo com um irmão da minha igreja que têm sérios problemas com depressão, e que, o tem levado a tentar o suicídio. O olhar do seu texto esclareceu algumas dúvidas e trouxe clareza a esse tema que tem sido muito debadido nos dias atuais. Muito obrigada .
ResponderExcluirObrigado Aldenira. Estou à disposição para ajudar. Que Deus a abençoe. Eziquiel
ExcluirTexto oportuno para o tempo que vivemos. Parabéns!
ResponderExcluirEssa é uma grande verdadd Jurandir.
ExcluirObrigado nobre companheiro. Que Deus o abençoe ricamente. Eziquiel
ResponderExcluirExcelente texto, meu amigo. Pode enviar as outras partes? Deus te abençoe! Orei agora por você. Filipenses 4.6,7.
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