quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

UM GRITO DEIXADO NO AR: o Suicídio (inclusive de pastores) (7ª Parte)


Depressão IV – “Como ajudar”. O depressivo dá sinais por muito tempo. É preciso estar atento! Família e amigos próximos são os que mais podem ajudar na percepção do problema. Depressivos são, normalmente, pessoas em extrema passividade. Vivem desmotivadas e, dificilmente, se motivam. A característica básica é a resignação. Normalmente, na tentativa de ajuda por parte de alguém, o depressivo se expressa: “já tentei, não vale a pena” ou “eu sei, mas, não vejo saída”; ou ainda, “cheguei no meu limite” e outra frases correlatas.

As crises são os momentos mais terríveis do que sofre depressão. Vem o choro, a tristeza lancinante, o isolamento e, até, a tentativa de suicídio. A família e os amigos são essenciais nessa hora. Os mais chegados precisam estar prontos, aptos e disponíveis para escutar e acolher... pois, tudo que a pessoa precisa é de um bom ouvido, de atenção, de cuidado. Li a seguinte frase de Roberto Grellert (do CVV):  “Na hora de acolher, é preciso respeitar o tempo do paciente, manter-se sensível, empático e acompanhá-lo sem pressa. Para isso é importante focar na pessoa, seus sentimentos, valores e possibilidades”. Os parente e amigos, por mais trabalho que dê, precisam entender que, nesses momentos, o que a pessoa depressiva necessita é DE GENTE! Mas, de gente com elevada autoestima, com positivismo, com disponibilidade para ajudar corretamente. Não é a hora para sermões ou lições moralistas. É hora de empatia, compreensão, conforto, respeito e informações corretas de como a depressão pode afetar e causar transtornos. Estimule o depressivo a fazer catarse¹ e ouça atentamente... olho no olho. A seguir seguem algumas sugestões simples para não profissionais, até que o depressivo possa receber ajuda especializada.

a) Evite deixar o depressivo só. Solidão é algo terrível para o depressivo. Ele precisa ter sua mente e corpo ocupados. Ele precisa muito de gente ao seu redor. Todos ao redor precisam se tornar uma família unida. Sempre, aqueles que estendem a mão para ajudar, acabam recendo mais ajuda. É uma via de mão dupla. Ao ajudar o depressivo, a pessoa também é ajudado e, dificilmente, virá a se tornar um deprimido. A igreja – independente de credo – precisa ser um pronto socorro espiritual e emocional. Por que as igrejas não se preocupam tanto com isso? Por que as igrejas não fazem, também, algo como grupo de “depressivos anônimos”? Quantas pessoas seriam ajudadas e, inclusive, poderiam ser levadas a conhecerem o senhorio de Cristo e a consequente salvação? A Bíblia é uma enciclopédia sem fim e com finalidades múltiplas. Não apenas para a salvação... mas, também, para tratar os feridos da alma, os traumas, as crises existenciais e muito mais. Veja alguns exemplos!

Paulo, o apóstolo, certa vez, sentiu-se triste e abandonado (II Timóteo 4:9-18). Sentiu-se abandonado e reclamou disso. Afirmou que sentia a solidão e estava muito triste. Precisava sentir o carinho de pessoas amigas e confiáveis. Escrevendo a igreja de Colossos (4:7-14), Paulo escreve o nome de alguns companheiros e diz que “eles têm sido fonte de ânimo para mim” (vs. 11b). Esses animaram Paulo e o ajudaram a não entrar em depressão. Quando, num momento de desespero, Elias fugia da rainha Jezabel, precisou de consolo. Não havia gente por perto. Portanto, Deus mesmo precisou enviar um anjo para confortá-lo (I Reis 19). Qual foi o conforto? Além da presença de um anjo, este garantiu que Elias tinha uma multidão de sete mil pessoas com quem ele podia contar. Perto do momento de enfrentar-se com a morte, o próprio Jesus sentiu-se angustiado. Que fez? Chamou três discípulos para estarem e orarem com Ele (Mateus 26:37-39). O próprio Filho de Deus angustiou-se numa “tristeza mortal” (vs. 38). Outras figuras bíblicas poderiam ser citadas, porém, estas bastam para garantir que todos os mortais, cristãos ou não, passam por momentos de depressão. Em todas eles, esses personagens precisaram da presença de pessoas amigas para darem o conforto e a ajuda necessárias.

b. Necessidade de ajuda espiritual, emocional e profissional. O ideal é a ajuda concomitante. Não é hora de juízo de valor. Não há desonra alguma em tomar medicação antidepressiva, por certo tempo. Conselheiro religioso, psicólogo e médico precisam falar a mesma língua e, também, trabalharem em conjunto em favor do depressivo. Entretanto, cada caso deve ser tratado de forma individualizada. As origens da doença são diferentes, os sintomas também e, portanto, o tratamento também. O importante é que os profissionais se respeitem e queiram apenas ajudar o paciente e, por isso, abram mão do individualismo e formem uma equipe multifuncional em favor do doente (porque depressão é doença). Um alerta a religiosos (pastores, padres e outros): se esses conselheiros forem leigos, entendam que não têm condições técnicas de fazer avaliação psicológica ou médica. Não ouse decidir sozinho que os sintomas físicos são somáticos. Não avalie sozinho se a depressão tem se expressado por origens psicológicas, mentais ou físicas. Entretanto, um religioso criterioso e aberto, poderá ser de altíssima valia no tratamento. É preciso que todos os profissionais estejam abertos ao compartilhamento entre si.

c. O depressivo é parte integrante do processo. Todos os profissionais precisam, definitivamente, entender que o paciente depressivo é parte integrante do processo de cura. Por isso, todo o processo e motivos da depressão têm que ser discutidos com o doente. Transparência, sinceridade, franqueza, respeito, empatia... são extremamente necessárias. O depressivo não mais confiará se perceber que estão escondendo algo dele. Qualquer atitude na busca das causas passadas, precisam ser discutidas com o paciente. Ele precisa sentir que os profissionais são competentes, amigos e o querem ajudar de verdade.

d. O estímulo ao pensamento realista. Ao instalar-se a depressão, normalmente, o sentimento que fica é sempre negativista e de autocríticas infundadas. As expressões mais comuns são em torno de: “Não valho nada”; “Ninguém gosta de mim”; “Nada que faço está certo”; “não tem mais jeito” e outras parecidas. Precisa ser estimulado a entender que ninguém é perfeito e que, possivelmente, só tenha cometido um erro... como todo mundo. Assim, seu fracasso momentâneo não significa que “não valha nada” ou “nunca faz nada certo”. Infelizmente há um cristianismo equivocado sendo pregado por aí. Um cristianismo onde a pessoa é levada a pensar que os seres humanos precisam sempre estar alegres, felizes, pra cima. Nesse tipo de cristianismo não há lugar para aborrecimentos e tristezas. Ao perceber que a vida tem “vales sombrios” e “dias maus”, o cristão se percebe um fracassado espiritual e, normalmente, a depressão jaz à porta. A solução passa por uma drástica mudança de atitudes com os pensamentos. Por isso, a pessoa precisa de ajuda, jamais de crítica.

e. Mudança de ambiente. Isso precisa ser levado em conta. A família e amigos precisam pensar seriamente nisso, se for preciso. Pode ser necessária a mudança da rotina diária. Aí pode ser incluída uma boa féria longe do ambiente costumeiro, redução de jornada de trabalho e, até, passeios e atividades amiúde, em conjunto, com a família. A família precisa entender que ela também está doente e precisa aprender – com profissionais – o que deve fazer para ajudar o depressivo.

f. Questão de fé. Estes artigos são direcionados basicamente a cristãos, ou seja, pessoas que crêem em Deus e naquilo que a Bíblia ensina. Não poucas vezes, diante de situações críticas e nas passagens pelo “vale da sombra da morte”, o cristão tende a duvidar da sua fé e passa a achar que Deus não olha para ele. É preciso estimular a estudar e perceber a maneira de Deus agir. Quase sempre, Deus age de forma diferente daquela que as pessoas desejam. O método de Deus é sempre o melhor, afinal, Ele não vê apenas o presente... mas, todo o amanhã. Por exemplo, o apóstolo Paulo aprendeu a viver de forma feliz e em contentamento em qualquer situação (Filipenses 4:2-13). Veja que no verso 12 ele diz que aprendeu a “... viver contente em toda e qualquer situação...” Há que se aprender que Deus dá forças necessárias em qualquer situação. Por isso, será bom um estudo sistemático, profundo e honesto dessas questões, à luz da Bíblia, com o depressivo. O depressivo cristão precisa ser levado à convicção de que Deus controla tudo e sabe, exatamente, das fraquezas e fortitudes de cada pessoa. Isso pode levar ao encorajamento na luta contra a depressão. Sempre haverá uma esperança... com Deus!

Davi passou por depressão profunda a ponto de exclamar ”Direi a Deus, minha Rocha: Por que te esqueceste de mim? (...) Até os meus ossos sofrem agonia mortal (...) Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim?” (Salmo 42:9-11 NVI). O homem Davi muito lutou e aprendeu até poder falar à sua alma: “Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda O louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus” (43:11b) e ainda no Salmo 43:4 pode rejubilar dizendo “Então irei ao altar de Deus, a Deus, a fonte da minha pela alegria. Com a harpa te louvarei, ó Deus, meu Deus!”

O cristianismo equivocado tem produzido mais loucos e deprimidos que o mundo ímpio. Jay Adams em seu livro “Conselheiro Capaz” mostra isso com rara clareza. Se puder, leia. O cristianismo verdadeiro, autêntico e bíblico tem a solução. E ela passa por ajuda espiritual e profissional, juntas. O que tem faltado são verdadeiros “homens de Deus” que não estejam preocupados com o aqui e agora e, muito menos, com a prosperidade financeira. Homens de Deus que estejam preocupados em levar ao mundo o cristianismo bíblico, ou seja, autêntico, verdadeiro e que cura, salva, perdoa.  Até o próximo!
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1. Catarse. Termo da biologia transportado para a psicologia. É a operação de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente, liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio. Liberação de emoções ou tensões reprimidas.












6 comentários:

  1. Me ajudou bastante o texto. Tenho conhecimento das passagens bíblicas , entretanto, não tinha esse entendimento. Recentemente iniciei um diálogo com um irmão da minha igreja que têm sérios problemas com depressão, e que, o tem levado a tentar o suicídio. O olhar do seu texto esclareceu algumas dúvidas e trouxe clareza a esse tema que tem sido muito debadido nos dias atuais. Muito obrigada .

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    1. Obrigado Aldenira. Estou à disposição para ajudar. Que Deus a abençoe. Eziquiel

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  2. Texto oportuno para o tempo que vivemos. Parabéns!

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  3. Obrigado nobre companheiro. Que Deus o abençoe ricamente. Eziquiel

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  4. Excelente texto, meu amigo. Pode enviar as outras partes? Deus te abençoe! Orei agora por você. Filipenses 4.6,7.

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