quarta-feira, 6 de março de 2019

POR FALAR EM AMOR...


Eu, e muita gente, víamos o amor como uma grande virtude da vida. Hoje, não tenho dúvidas de que O AMOR é muito mais que isso: é a própria vida. Há quem diga que é a única virtude da vida, da qual dependem todas as outras. O amor é o único elemento eterno. O único que ultrapassará os umbrais da eternidade, passando intacto pela morte. Não tenho intenção, e nem quero, escrever sobre o amor de forma poética, ou filosófica, ou teológica, ou de outra qualquer forma.

Quero escrever sobre o Amor, da forma como Deus o concebeu. Para tanto, quero usar os termos encontrados na língua grega: a língua onde se expressaram os “homens de Deus”, ao transmitirem Suas mensagens.

“Eu te amo”, “vamos fazer amor”, “amo de montão minha amiga”; são expressões do cotidiano na vida da humanidade, na maior parte das línguas. O termo “amor” é o mesmo para todas essas diferentes conotações. Amor... mas o que esse sentimento significa? Que conotações diferentes o termo tem, quando na língua portuguesa se faz uma tremenda confusão ao se usar AMOR, sentimento lindo e santo, com sexo puro e sem sentimento, por exemplo? É preciso deixar claro, como princípio, que qualquer pessoa que tenha estudado filosofia analítica entende que palavras como Amor (e tantas outras), não podem ser definidas, assim como a vida é indefinível, na sua essência. As definições humanas dessas palavras são “funcionais, descritivas” e não definitivas. Então, vejamos...
São três as palavras básicas, no grego, usadas para amor: “Philéo”; “Éros”; “Ágape”. Quais os significados, de forma superficial?

a) Philéo (Filéo = gostar de, amor fraternal) > é a palavra mais empregada e indica uma atração geral para com uma pessoa ou coisa.   Em primeiro plano está o significado de amor para com parentes e amigos (cf. a formação típica de philadelphia, o “amor pelo irmão”); mas engloba afeição amorosa para com deuses, homens e coisas como objetos possíveis. “Philía” denota “amizade”, “devoção”, “favor”. Filantropia é, etimologicamente, saída de “philía”. Há um número muito grande de palavras que se compõem com origem nessa palavra (philía), tais como: hospitalidade, afeição, amizade, amigo, e, em muitos casos, está associada a “favor” e até a “beijo” como sinal de amor por alguém, no sentido de amizade.  Pode-se dizer, então, que “philéo” no grego, é o amor que se sente por um amigo, por um parente, pelos familiares.

b) Eros = Aqui, o sentido é aquele do “amor” que deseja ter ou possuir. É o amor apaixonado, o amor que deseja fisicamente! A conotação mais comum de “éros” é o amor entre um homem e uma mulher que abrange o “anseio”, o “anelo”, o” desejo”.  “O deleite dos gregos na beleza do corpo e nos desejos sensuais achava expressão aqui, na abordagem dionisíaca à vida, e sua sensação dela. O êxtase sensual deixa muito para trás a moderação e a proporção e, os tragedianos conheciam o poder irresistível de Eros – o deus do amor tinha o mesmo nome – que, no caminho do êxtase, esquecia-se de todo o raciocínio, vontade e discrição”. (COENEM, Lothar e BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, pg.113). De “éros” vem, portanto, as palavras “erótico”, “erotismo” e seus cognatos.  Está claro, portanto, que o erótico (éros) está intimamente ligado ao lado sexual do amor, do relacionamento.

c) Ágape = a origem desta é muito controvertida. Não está clara sua etimologia. O vocábulo “agapao” aparece frequentemente na literatura grega de Homero em diante, mas o substantivo ágape é uma construção que só aparece no grego posterior. É uma palavra descolorida no grego, e aparece, com freqüência, como alternativa para “éros" e “philéo”, com o significado de “gostar de”, “tratar com respeito”, etc. Esta palavra precisaria de um “livro inteiro e muito grande” para se tentar definir o seu significado posterior, no que tange ao amor de Deus.

Vou sintetizar! No Novo Testamento (Bíblia) “agapao” e o substantivo “ágape” tomaram um significado especial, sendo que se empregam para falar do amor de Deus ou o modo de vida que nEle se baseia.

No judaísmo helenístico e rabínico, “ágape” ficou sendo o conceito central para descrever o relacionamento de Deus com o ser humano, e vice-versa. Apesar dos matizes místicos gregos e orientais, a palavra manteve suas implicações básicas do Antigo Testamento. Deus ama Seu povo no meio de toda aflição que este se encontra. O fiel corresponde a esse amor à medida que obedece Suas leis e imita a compaixão zelosa de Deus. A pessoa que recebe o amor (ágape) de Deus; ama até seu inimigo. Razão?  Porque o amor de Deus (ágape) adentrando ao coração do ser humano, torna este pleno de amor. Aí o amor “philéo” e o amor “éros” se doam por inteiro.  Isso significa que o amor “ágape” (o de Deus), permeia o amor amizade, bem como o amor erótico.  Assim, o ser humano tem condições de amar plenamente. O amor “ágape” precisa e só alcança seu valor máximo quando o ser humano “ama ao próximo como a si mesmo”.  Não há possibilidade humana de se amar ao próximo de modo pleno, se o amor “ágape” não habitar plenamente no seu interior. Assim, o cônjuge que ama, só pode amar fielmente e inteiramente com amor “éros e philéo”; se o amor de Deus (ágape) fizer parte de sua vida. Isso significa que o amor “ágape” precisa ser pleno e diuturno na vida das pessoas.

“Fazer amor” sexo (éros) por instinto, apenas, é só “éros”.  “Fazer amor” (éros), se permeado de “ágape”, implica em fidelidade, respeito, amizade, coerência, doação, vida verdadeira e comunhão com o cônjuge e com Deus. Só o amor “éros” é puro sexo animal.

Quero destacar um texto da Bíblia para exemplificar a prática desta palavra. É o texto de I Coríntios 13. Ali, o amor, quando fruto do próprio amor de Deus, transforma os homens conforme a imagem moral de Cristo e recebe dezesseis descrições diversas (vs. 4-8). Todas essas expressões de amor são descritas por meio de verbos, e não por adjetivos, como indicação de que o amor é uma força ativa e dinâmica, jamais estática. Esse trecho termina dizendo que o amor “nunca falha”.

A seguir, são sugeridas as formas que as descrições do amor “ágape”, que permeia o amor “éros” e o amor “philéo”, podem assumir quando se aplicam a ação do ser humano em todos os níveis de seus relacionamentos: (extraído do Novo Testamento Interpretado, de CHAMPLIN, Russell Norman; vol. 4, pg. 203).
a)   É desejo, em sua forma pura, pelo bem-estar de outros; e isso sem importar se é o nobre desejo de Deus em favor da redenção humana (Deus é amor), ou se é o amor que um ser humano tem por outro.
b)   É uma modalidade de louvor e exaltação, reconhecimento de valor de outrem, como se dá no caso do amor que o homem pode ter por Deus.
c)   É o “enchimento” de um homem com um elevado ideal ou dedicação, como sucede quando um homem serve ao próximo ou a Deus.
d)   É a adoração prestada a outrem; e isso sem se importar se do homem para com Deus, ou se de um ser humano para outro.
e)   O amor ao próximo consiste em querermos para o próximo o mesmo que queremos para nós mesmos.
f)   Por conseguinte, o amor consiste em estimarmos ao próximo como estimássemos a nós mesmos. A auto-estima leva-nos a “cuidar” de nossa própria pessoa, protegendo-a, providenciando o que lhe é necessário, sacrificando-nos por seu bem-estar. Quando cuidamos do próximo como cuidamos de nós mesmos, amamos a essa pessoa como a nós mesmos; e se esse amor ao próximo não atingir esse nível, então o nosso amor será proporcionalmente débil.

Você, leitor, Ama?  Quando você diz que ama seu pai, sua mãe, os amigos, seus filhos, os parentes... está falando do amor “philéo”. Quando você expressa amor pelo seu cônjuge, está falando do amor “éros”. Perceba que são tipos de amor diferentes. Mas a língua portuguesa não faz a diferença. É preciso explicá-las. Já no grego, o uso de cada termo define por si só e diretamente. Você ama seu cônjuge, namorado, noivo e etc.; com atração física, com desejo, com “tesão”? É o amor “éros” falando mais alto. Todos nós temos e sentimos essas duas conotações do amor. São sentimentos legítimos, gostosos. Humanos... mas que emanam de Deus, porque o amor nasceu no coração de Deus e foi transmitido a nós. O ser humano o tem deturpado. E, neste caso, a deturpação acontece por falta do amor “ágape”.

O amor humano baseado no “ágape” (o de Deus), ultrapassa a todo amor humano possível. Só esse tipo de amor é capaz de produzir o verdadeiro amor “philéo” e o verdadeiro amor “Eros”. Isso não significa que o amor “Eros” e o “philéo” não existam e não estão por aí, por si sós. Eles existem, mas carecem de um sentido mais real, profundo, verdadeiro. O verdadeiro amor, baseado no “ágape” de Deus é aquele amor que “é sofredor, é benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... porque ele NUNCA FALHA”.


                                          


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A IGREJA MODERNA E A TEOLOGIA DO MERGULHE E PULE!


Mergulhe e pule! Parece que o assunto é piscina... mas, não é. Até porque, se fosse sobre piscina, deveria ser “pule e mergulhe” e não “mergulhe e pule”. É sobre igreja mesmo. A igreja moderna, dos dias atuais. Aquela igreja que vive abarrotada de gente que sabe muito bem mergulhar nas promessas existentes na Bíblia e pula as ordens e mandamentos divinos. Gente que sabe exigir e determinar... mas, que vive longe da obediência e fidelidade. Este é o problema... ou solução!

Faz cerca de dois mil anos que Jesus, seus discípulos e os apóstolos perpetuaram em livro – a Bíblia – a vontade de Deus e todo conhecimento possível sobre Ele. Foram homens inspirados por Deus. O Espírito Santo veio para, dentre outras atividades, iluminar Seus filhos no conhecimento de toda a verdade (João 14:16-17; João 15:26-27; João 16:08-11).

Vinte séculos depois, os ensinos de Jesus, nunca foram tão deturpados. Toda uma geração de cristãos está sendo vitimada por um ensino caótico, pobre, sem padrão moral, sem teologia bíblica, sem doutrina salutar e, por isso mesmo, alheia à Bíblia. Por isso, o cristianismo evangélico sofre de nanismo espiritual. É uma espécie de hipodesenvolvimento espiritual acentuado, atribuível exatamente pela ingestão de “alimento estragado” por hermenêuticas nauseabundas. O resultado é um crescimento (quando há) atrofiado. Quase sempre esse nanismo produz uma suspensão de qualquer crescimento espiritual. Os “ventos de doutrina” se tornam facilmente assimiláveis. 

Os “ventos de doutrina” se tornam palatáveis. Afinal, eles não exigem quase nada. Não há a conscientização do que seja “pertencer a Jesus Cristo”. As pessoas “aceitam a Jesus”... mas, não “recebem a Jesus” como Senhor. Ele é tão somente salvador... sem ser senhor. Portanto, não há servidão a Ele e, muito menos, o senhorio de Cristo. Os cristãos vivem e fazem da Bíblia uma simples “caixinha de promessas”.  É a “Teologia do Mergulhe e Pule”. Nesta só existem promessas... e nenhum mandamento. Mergulha-se nas promessas e pulam-se os mandamentos! A igreja de Corinto foi exemplo de igreja que não tinha maturidade cristã. 

Há igrejas e pastores produzindo cristãos de verdade. São poucos, é verdade... mas existem. Todavia, a maioria nasce espiritualmente nanomélica. Isso acontece porque o interesse é esse mesmo: a produção de sub cristãos, levados por “ventos de doutrina” produtores das teologias vicejantes e que grassam o cenário cristão. Há interesses latentes financeiros, e ou, de poder; subjacentes ao evangelho sadio. Nem de longe estou falando de “modernismo”, mas de um cristianismo que se diz ortodoxo... mas, os fins são escusos. Quem tiver inteligência espiritual para entender... que entenda!
Os cristãos se “auto medem”, se “auto avaliam” à luz de pastores, bispos, apóstolos e, até, querubins humanos. Veja aonde se chegou! Longe demais em tantas heresias. A qualidade espiritual quedou-se drasticamente. A busca pela maturidade no Espírito resume-se a “encontrões”, “louvorzões”, “subidas ao monte”, “cânticos putrefatos teologicamente”. Verdadeiras catarses espirituais que se esboroam na primeira crise da segunda-feira. Sem entrar na famigerada “teologia da prosperidade”; essa sim, verdadeiro “ópio” espiritual. 

Que dizer de músicas – aberrações teológicas – como “sabor de mel”?  onde, dentre outras incoerências teológicas e erros linguísticos, afirma que “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção, vão se arrepender. Vai estar entre a plateia e você no palco. Vai olhar e ver Jesus brilhando em você”. E a famosa “raridade”, onde se lê: “Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor. Você é precioso, mais raro que o ouro puro de ofir”. Há uma música intitulada “Quem Tem Promessas de Deus Não Morre”, onde o refrão diz: “Não morrerei enquanto a promessa não se cumprir. Quem tem promessa de Deus não morre não”. A música “A Batalha do Arcanjo”, é, talvez, a pior de todas em termos de absurdos, não sobrando quase nada que seja bíblico. Fora coisas como: “Fogo no Pé Vai Ser Comido de Bicho”, que é digna de risos.. e nada mais. Nem vale a pena explicar mais e ou pedir para ler textos bíblicos claros contra essas letras (Romanos 7; Salmo 14; Isaías 64; Hebreus 11:13, 39; Mateus 5-7; e tantos outros). O negócio desses autores e cantores é mergulhar nas promessas e pular os mandamentos e ordens. E o grande sucesso diz claramente sobre o conhecimento bíblico do chamado “povo de Deus”. 

A igreja imita o mundo e a recíproca não é verdadeira! A alegria no Senhor foi substituída pela alegria do “vamos pular” e outras aberrações vividas nos “palcos” cristãos. A verdade é que o cristianismo não mais produz santos, com raras exceções. Não há busca por santificação, até porque, para isso, é necessário um profundo reconhecimento das mazelas pessoais – os pecados – que hoje possuem nomes sofisticados. Dizer pecado é pecado, nessas lides!

Jesus, e tão somente Ele precisa voltar a ser padrão de medida para a igreja. O resto precisa ser tirado de cena. Hoje, digo novamente, os holofotes estão sobre os homens, sobre líderes (sic), sobre astros (sic) e não sobre Jesus e sua cruz. Há muita midiolatria, pastorlatria, apostolatria, missiolatria, igrejalatria e até bibliolatria (perdoem-me se essas palavras não existem... mas, deveriam existir). Jesus, e tão somente Ele, tem que nortear a Palavra e a Ação da igreja. 

Isso remete este autor ao poderoso sermão de Pedro perante o Sinédrio (Atos. 4:1-12), após ter curado um aleijado na porta Formosa do templo em Jerusalém (Atos 3:1-10). No meio do seu sermão pregado no Pórtico de Salomão (Atos 3:11-26) Pedro é preso. Motivo? Veja 4:2 NVI: “Eles estavam muito perturbados porque os apóstolos estavam ensinando o povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos”. Eles estavam incomodando as autoridades religiosas, os doutores da lei, os donos do templo. A igreja fazia diferença na vida do povo. Havia poder dado pelo Espírito Santo (4:8). Pedro e os apóstolos não tinham medo. Aqui, Pedro tocava nas feridas dos religiosos. Acusava-os de terem crucificado a Cristo, ensinava-os sobre a “pedra angular que os construtores rejeitaram”. Indicava que fora de Cristo não haveria salvação (4:12). Pecado era pecado... e ponto final. Estava Pedro afirmando que o foco era Cristo e somente Ele. Que o centro da mensagem era Cristo e a sua cruz. Pedro - e os apóstolos – mergulhavam nas promessas... mas, também, mergulhavam nas ordens e todas as dificuldades que elas poderiam trazer. 

Hoje a igreja está ensimesmada. Para dentro. Enclausurada. No Novo Testamento não era assim. Um dia ouvi um pregador (não me lembro quem) dizer sobre a MALDIÇÃO DOS TEMPLOS. Estes aprisionam o evangelho. A igreja diz: Venham! Jesus disse: Ide!  Que aprendamos com John Knox que orava incessante: “Deus, dá-me a Escócia ou eu morro”. Ele produziu o grande avivamento escocês, que a maioria dos cristãos não sabe nem o que significa. – Deus, dá-nos homens e mulheres de Deus que queiram se aprofundar no conhecimento do Senhor Jesus e paguem o preço da produção de um verdadeiro avivamento espiritual bíblico nestas plagas brasileiras. Amém!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

DE PASTORES E DE HERÓIS!



Não sei ao certo se são heróis ou super-heróis! O mundo está cheio deles. Pobre da sociedade que precisa de heróis, super-heróis ou ídolos! O ser humano busca aquilo que não é – e gostaria de ser - em outros seres humanos que considera heróis. Quando criança eu também tinha meus heróis. Cresci, amadureci, aprendi e entendi definitivamente o que significa ter heróis e ídolos humanos... é para os fracos. Quem – da minha idade - não se lembra do Zorro? Do Capitão América? Do Fantasma? Mais modernamente há o Batman, o Homem Aranha e tantos outros. 

Outros colocam seus ideais em líderes políticos. Foi assim com Hitler, Mussoline, e tantos mais. Hoje alguns políticos brasileiros continuam sendo idealizados como super-heróis também. E no meio evangélico? Há pessoas – uma multidão – que não daria sua vida por Jesus... mas a daria por alguns “super-heróis” pastores, apóstolos, bispos ou querubins que estão se enriquecendo a custa da ignorância bíblica dos “fiéis”. Fiéis a esses astros... não a Jesus. Ao depositar sua fé e esperança em heróis humanos perpetua-se uma ideologia satânica, onde se pensa que uma só pessoa resolve tudo. Esquece-se que esse “ídolo” é humano, portanto feito, também, de barro.

Idealiza-se um mundo utópico, quimérico, ideal! Ele simplesmente não existe. Veja que o Criador em Sua sabedoria fez o humano diferente dos outros animais. O boi, o cavalo, a cabra, ao nascerem, já saem andando. Dentro de poucas horas estarão providenciando o próprio alimento. Com os humanos não é assim. Foram feitos para socialização e dependência. A criança, ao nascer, se não tiver cuidados – e muitos – , jamais chegará a ser adulto. E quando adulto vai sempre viver na dependência de trabalhos alheios.  Ninguém é uma ilha. Todos fazem parte de um processo muito bem estruturado de dependência uns dos outros. Super... há um só! Deus!

O maior teólogo de todos os tempos e, em consequência, o maior intérprete de Jesus e do verdadeiro cristianismo, foi o apóstolo – o verdadeiro – Paulo. Ele encontrou essa situação na igreja de Corinto. Lá uns idolatravam a Apolo, outros a Paulo, talvez outros a Pedro.  Mas, não “idolatravam” a Jesus. Basta ler I Coríntios 3.  Então, de forma contundente, Paulo afirma: “Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério que o Senhor atribuiu a cada um. Eu plantei, Apolo regou, mas é Deus quem fez crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus que efetua o crescimento” (I Co. 3:5-7 NVI).

Paulo estava lidando com uma igreja cheia de humanos, como são todas as existentes desde sempre. Lá havia dissensões, inveja, brigas. O foco principal dos crentes de Corinto era bem outro do verdadeiro. Havia uma disputa interna pra saber quem era o maioral: Apolo ou Paulo. E Cristo? Hoje, há uma renhida briga entre os milhares de fãs pra saber quem é o maior: Bispo X (há tantos), apóstolo V, missionário R, pastor S, querubim tal. Nada mudou. A ignorância e desconhecimento de Deus e de Sua palavra é crassa. Por caminhos ínvios o mundo evangélico tem andado.

Todo e qualquer líder é feito da mesma massa que todos os seres humanos. Portanto, pecadores, falhos. Líderes espirituais são – ou deveriam ser – apenas SERVOS. Servos de Deus e da sua igreja. É isso que Paulo ensina claramente no texto de I Coríntios 3.  Nem o que plantou, nem o que está regando são coisa alguma. Ah, se as pessoas escutassem o que Paulo ensinou... o mundo cristão seria diferente.

A mim me parece que esses tais sofrem aquilo que a psicologia chama de “Complexo de Messias”. Acho que alguns desses, que são psicólogos, faltaram à aula nesse dia. A enciclopédia Wikipédia diz o seguinte: “Complexo de messias é um estado psicológico no qual o indivíduo acredita ser ou estar destinado a se tornar o salvador de algum campo de atuação específico, grupo, evento, período de tempo ou até mesmo do mundo inteiro. Afligidos pelo Complexo de Messias louvam sua própria glória ou alegam absoluta confiança em seus próprios destinos e capacidades e nos efeitos que terão sobre um grupo de pessoas ou aspecto da vida. Em alguns casos o Complexo de Messias pode estar associado à esquizofrenia, onde a pessoa ouve vozes, tem alucinações e acredita que é Deus, espíritos, anjos, deuses ou outros que falam com ele; o que, na visão da pessoa, confirmaria sua messianidade. Nos casos mais graves, pessoas com Complexo de Messias podem se ver literalmente como Messias espirituais/religiosos com poderes transcendentes e destinados a salvar o mundo”.

O ditador Hitler desenvolveu o Complexo de Messias. Isso se tornou em fobia contra os judeus, quando percebeu que a Alemanha piorava sua situação na Segunda Guerra Mundial. Em abril de 1942 foi redigida a “Solução Final”; medida que acentuou o extermínio em massa dos judeus.  Transcrevo “ipsis líteres” do site TERRA: “Os analistas do serviço secreto notaram um estado de paranoia nos discursos de Hitler e uma crescente preocupação em acabar com uma população que o político alemão via como a encarnação do diabo. O documento, escrito pelo acadêmico da Universidade de Cambridge Joseph MacCurdy, foi encontrado nos arquivos dos familiares de Mark Abrams, um cientista social que trabalhou para a seção de análise de propaganda da BBC. Poucas semanas depois da redação do relatório, o Terceiro Reich elaborou seu plano para aplicar a Solução Final. MacCurdy afirmava que Hitler demonstrava em seus discursos sinais de ‘paranoia’, ‘histeria’ e ‘epilepsia’, causada por uma situação na qual ele "contemplava a possibilidade de uma derrota total". O mais preocupante, segundo o acadêmico, era a crescente paranoia de Hitler, especialmente seu complexo messiânico, pois ele achava que liderava o povo eleito”.

Porventura não é exatamente o que tem acontecido com esses pastores super-heróis? Arrogam-se como super-heróis, transmitem a ideia e, as pessoas incautas ou com outros interesses, passam a ver nessa pessoa o seu super-herói. Isso retroalimenta a mente doentia hitleriana da maioria desses pastores, bispos, apóstolos e correlatos. Estes acham que, sozinhos, vão salvar o mundo, ou o seu grupo e que não precisam de mais ninguém e que a “concorrência” faz mal. Pessoas com Complexo de Messias não sabem que o verdadeiro crescimento do Reino de Deus não se faz assim. Paulo deu a fórmula faz dois mil anos: um planta, outro rega... mas é Deus quem dá o crescimento; portanto, todos somos servos uns dos outros. Lembrando que “o Filho do homem não tinha onde reclinar a sua cabeça” (Mt. 8:20).

A coisa fica ainda pior quando se vê a igreja alimentando isso de forma ferrenha. Idolatram o seu pastor, apóstolo, bispo; ou seja lá o que for. Aí deduzem que a oração do seu super-herói é mais poderosa (afinal, seu herói diz que vai fazer uma ‘oração forte’). Por isso, a pessoa não ora mais, precisa chamar o pastor super-herói. O pastor - ou congêneres - passa a ser a solução para tudo na vida das pessoas. As pessoas passam a viver uma vida cristã desgraçada; afinal, elas possuem um super-herói que está sempre pronto pra resolver seus problemas. Quando encontram um pastor sério, conhecedor da Palavra e com intimidade com Deus o rejeitam porque ele “não tem oração forte, nem poder”. Satânica ignorância. O pastor é que tem que evangelizar seus amigos, parentes, vizinhos; afinal, eles também precisam ir para o céu. Mas, quem tem que fazer isso? O super-herói. E o “crente” não mais evangeliza. Afinal, para isso existe o super-herói que está todo dia na televisão. Basta assistir e beber uma água abençoada com oração forte. Deus... que cristianismo é esse?  Como já dizia uma velha música de um roqueiro nacional: “Pare o mundo que eu quero descer”!

Igreja é uma comunidade de pessoas salvas em Jesus Cristo e por Jesus Cristo. O líder é alguém vocacionado por Deus para dirigir Seu povo a “pastos verdejantes” e fazer desse povo discípulos. Discípulos que, sob a liderança humana do pastor e sob o poder do Espírito Santo levem o evangelho da graça salvadora a todos aqueles que estão ao alcance e no raio de ação da igreja. Costumo dizer que há igrejas que, se fecharem as portas, não farão qualquer diferença na vida da comunidade onde estão plantadas. Qualquer padaria, se fechada, fará mais falta do que a igreja. A igreja não incomoda mais a vida espiritual das pessoas. A maioria é só barulho e idolatria evangélica insuflada pela autolatria de líderes com Complexo de Messias.

A verdadeira igreja de Jesus Cristo, independente de denominação, precisa exterminar com líderes com esse Complexo de Messias. Deixar o individualismo e partir para um trabalho sério através de toda igreja ou equipes treinadas para evangelizar. Todo verdadeiro cristão precisa ter presente em seu coração e mente que o Reino de Deus não se faz com super-heróis, mas com servos dedicados e unidos em um só propósito: salvar vidas para Cristo. Minha obrigação como filho de Deus é fazer a minha parte e “... ai de mim se não pregar o evangelho...” (I Co. 9:16). O convencer é obra do Espírito Santo. O trabalho é meu, do meu irmão, do líder... todos unidos pela força do amor a Deus e na dependência do Espírito Santo, em obediência às ordens do Senhor Jesus. Amém. 

CARNAVAL 2020! O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA!

Neste artigo vou ser mais intimista. Vou usar o pronome na primeira pessoa. Normalmente não falo ou escrevo sobre aquilo que não sei, ...