quarta-feira, 20 de março de 2019

FILHOS E PAIS! DUAS GERAÇÕES DE DESCONHECIDOS! (O Reino dos Céus e as Crianças) – Parte 1


Mais uma tragédia relacionada com crianças em escola. Desta vez em Suzano/SP, na Escola Estadual Professor Raul Brasil. Recentemente, no Colégio Goyaneses, em Goiânia/GO, adolescente de 14 anos matou dois colegas de 13 anos e feriu outras crianças com a arma da mãe, que é policial civil. Outra tragédia foi a de Realengo/RJ, em 2011, com a morte de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira. Ainda em 2011, em São Caetano do Sul/SP, uma criança de 10 anos atirou na professora e depois se matou. Em abril de 2012, adolescente com 16 anos, de Santa Rita/PB, acertou três alunas tentando matar outro aluno da escola. Isso, só os casos mais “bombásticos” e midiáticos brasileiros; sem os casos mundo afora. Ainda há registros de mortes levadas a efeito por crianças com o uso de armas brancas e outras. Tais notícias têm acontecido, cada vez mais, amiúde. O que está havendo com as crianças? 

As crianças de cada um, ou seja, os filhos são bênçãos de Deus e joias raras para os pais. Pelo menos, deveriam ser. O que está acontecendo? Por que, cada vez mais cedo, as crianças estão ficando adultas e tendo atitudes absurdas até para adultos? Li, não lembro onde, que “existe uma tragédia silenciosa” dentro dos próprios lares. As estatísticas são estarrecedoras. Cada vez mais cedo, as crianças perdem o encantamento, a doçura e se defrontam com a realidade de lares putrefatos e são conduzidas a um estado emocional terrificante e sem precedentes. Parece que a epidemia está virando, rapidamente, pandemia. 

Recentemente foi divulgado que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) sofreu um aumento de 43%.  Esse é um transtorno neurobiológico genético que surge na infância, caracterizado por desatenção, inquietude e impulsividade. Modernamente, bom número de crianças sofre de transtornos mentais. O aumento de crianças depressivas tem crescido assustadoramente. O pior é que o número de crianças e adolescente suicidas na faixa entre 10 e 14 anos teve um aumento recente de 200%. 

É desse assunto tenebroso que este, e os próximos textos, vão tratar.  O que está acontecendo e o que os pais, a escola, a sociedade, as igrejas, o mundo... estão fazendo de errado? As crianças da atualidade estão sendo criadas e estimuladas de forma correta? Ou estão sendo superdimensionadas e estimuladas a valores materiais em detrimento do espiritual, do ético? Será que o que é “correto”, não está sendo substituído pelo que se tem denominado de “politicamente correto”. E os valores espirituais e morais têm existido de forma correta? É um longo caminho a percorrer. 

Um pouco de divagação! Imagine uma criança pensando no interior da mãe... prestes a nascer. Uma família e os amigos dessa família ansiosos pela sua chegada. O que será essa criança, pensam! Talvez a civilização esteja em jogo. Talvez o futuro do mundo dependa dessa criança. Finalmente ela chega! Do mundo ela nada sabe. É apenas uma indefesa criança. O que ela será no futuro depende, primariamente, dos pais. Depois, de um sem número de pessoas: familiares, parentes, vizinhos, escolas, professores, colegas... a lista vai longe. Quem determina o que ela será? Sucesso ou fracasso? Posso, cá do meu canto, ouvir cada criança a gritar desesperada: “Dá-me, dia a dia, aquelas coisas que possam construir minha identidade feliz! Posso sentir o gemido lancinante daquele infante indefeso a dizer: “Treine-me, corrija-me dia a dia, pois quero fazer diferença neste mundo louco; quero ser bênção para mim mesmo, para meus pais, para a sociedade e para Deus”. E por que isso não tem sido possível? De quem é a culpa?

No mundo animal, os filhotes nascem e, após poucas horas, muitos deles já estão andando. Dentro de poucos dias já estarão se alimentando sozinhos. Os pais, na maioria das vezes, são apenas procriadores; criando e acalentando os filhos por pouco tempo. Não é assim com os humanos. A criança precisa de cuidados por muitos anos. E que cuidados! Do contrário, pode adoecer e, até, morrer precocemente. Mas, muitos pais entendem que precisam cuidar da saúde física, via alimentos, apenas. Esquecem-se de coisas prioritárias. A maioria não está preparada para ser pai e mãe. Não sabe o significado real e verdadeiro do que isso significa. A criança precisa de cuidados físicos, emocionais, espirituais, educacionais e tantos outros mais. 

Para começar: o básico. A criança precisa de Deus! Isso, necessariamente, implica que ela precisa ser orientada para Deus. A base é a família. Mas, toda criança não é, automaticamente, salva? São indagações pertinentes e, ao mesmo tempo, ausentes da realidade bíblica. 

O que se tem notado em tempos modernos é o completo descaso das famílias com as crianças. Bastam os crimes terríveis perpetrados contra o menino João Hélio, a menina Isabella Nardoni, os massacres já citados. 

Há quem diga que é culpa dos governos, ou da extrema direita; ou da extrema esquerda; ou da falta de segurança nas escolas; ou dos pais; ou de tantas outras desculpas. Bem, particularmente, não tenho dúvidas de que os governos, os políticos de todos os matizes, a falta de segurança, os pais e outras coisas tantas, têm sua parcela de culpa. Todavia, todos esses “culpados” não teriam êxito nesse projeto estruturado de solapamento da sociedade e da família, se os dois maiores pilares espirituais da sociedade estivessem intatos, fortes, altaneiros, produtivos e estruturados como concebidos por Deus: a) a fé em Deus; b) e a família baseada em valores espirituais. Esses dois pilares juntos resistiriam a quaisquer tempestades e avanços do mal. 

Alguém objetaria: esses pilares são, somente, espirituais. Verdade! Exatamente por isso eles deveriam ser o sustentáculo de toda a sociedade, cujo pilar primeiro é a família. Sociedade composta por famílias sem Deus, esfaceladas, baseadas em princípios morais e éticos duvidosos... produzem filhos com moral e ética malignas. Muitos religiosos colocam a culpa no pecado, no diabo, alguns na própria igreja. Todas essas coisas são consequências... não as causas. Famílias formam a sociedade. Sociedade sem famílias, moral e eticamente bem estruturadas, jamais produzirá uma sociedade moral, ética, decente. Reitera-se: todo esse descalabro é consequência... não as causas! Verdade que, nos últimos 30 anos o poder político no Brasil tem, propositalmente, solapado os valores morais, éticos e religiosos da sociedade brasileira. Entretanto, é a falta verdadeira de uma igreja compromissada com os valores do Reino de Deus que tem permitido o avanço putrefato do viés político. 

O primeiro pilar é a “Falta de Fé Verdadeira em Deus”. A sociedade, simplesmente, está a colher os frutos do seu afastamento de Deus. Isso inclui, inclusive e principalmente, o mundo cristão, as igrejas e os líderes; estes – na maioria – preocupados com o “vil metal” e o “aqui e agora”. A pura e simples rejeição ao Senhorio de Cristo produz muito egoísmo, imoralidade, idolatria, violência (veja Gênesis 6 e Romanos 1). Ora, essa realidade é que está acontecendo. Não precisa ser “expert” para perceber que as crianças passam a ser vítimas fáceis de todo esse processo de deterioração social. Aos montes estão aí o aborto, a pedofilia, os crimes contra as crianças. 

O que a criança precisa, no ventre materno, é amor, carinho, acolhimento. Fora do ventre: mais amor, mais carinho, mais acolhimento, educação, instrução que açambarque a moral, a ética, os valores formativos do caráter e, necessariamente, passa por valores espirituais sérios. Aqui, não há preocupação com religião no sentido de denominação e sim de valores bíblicos. Estes são eternos e imutáveis. O grande problema social chama-se “pecado”. 

O que é o pecado? Literalmente significa “errar o alvo” que Deus tem para vida de cada humano, criado à Sua “imagem e semelhança”. Tanto no hebraico como no grego (línguas originais da Bíblia), em seus diversos termos usados e traduzidos por “pecado”, o sentido é sempre de afronta às leis de Deus (hebraico: hattã’th; ‘awôn; pesha`; ra`; grego: hamartia, hamartema, parabasis, paraptõma, poneria, anomia, adikia). Por isso, pecado representa fracasso, erro, iniquidade, transgressão, contravenção, desobediência à lei e outras coisas mais. Todavia, a palavra mais generalizada no Novo Testamento para pecado é “hamartia” que, com seus cognatos, acentua o sentido de transgressão contra as leis de Deus. 

Não importa se a pessoa, a família, a sociedade ou os governos acreditem ou não em Deus e suas leis. A Bíblia informa – é uma questão de fé – que Deus criou todo o cosmos e, também, o ser humano (Gênesis 1-2). Sendo o criador e dono de tudo, estabeleceu leis das quais jamais se desvia e as deu aos humanos, aos animais, à natureza, ao cosmos. Elas são imutáveis. A quebra delas constitui-se transgressão conta Deus; portanto, pecado. Quando a sociedade se conscientizar disso... quando as famílias se conscientizarem disso... quando as igrejas se importarem com isso, então haverá um novo e santo começo para a sociedade. É com esse sentido em mente que, creio eu, deve se assentar as bases educacionais familiares de cada criança. Quais as necessidades básicas de uma criança?

Um dos maiores especialistas em família e educação de crianças, o cristão James Dobson traz 7 (sete) necessidades básicas da criança. Ei-las:

  1. PRECISA DE SIGNIFICADO = sua atitude como pai (ou mãe) em relação a você mesmo irá afetar a autoestima de seu filho. Seu filho precisa ajudar em casa, sentindo-se útil. Precisa falar por si mesmo. Precisa fazer suas escolhas e ter suas opiniões. Confiar em si mesmo... Isso é que dá significado!
  1. PRECISA DE SEGURANÇA = insegurança é causada por conflito entre os pais, mudanças exageradas, falta de disciplina, pais ausentes nas grandes decisões da criança, críticas contínuas, coisas ao invés de pessoas!
  1. PRECISA DE ACEITAÇÃO = Críticas constantes, comparações com outros, autorrealização nos filhos, super proteção.
  1. PRECISA AMAR E SER AMADO = amor é uma reação aprendida (verbo amar), amor visto nos pais, amor verbalizado e demonstrado, demonstração de confiança, disposição para ouvir, compartilhar experiências, criança perceber que é mais importante que coisas e trabalho.
  1. PRECISA DE ELOGIOS = elogiar desempenho e não a personalidade, elogiar o esforço e não a beleza, elogiar a responsabilidade da criança, elogiar com sinceridade, elogiar a iniciativa da criança mesmo que fizer errado.
  1. PRECISA DE DISCIPLINA = é muito mais que castigo que produz a obediência. Tem a ver com treinamento e discipulado. Tem a ver com LIMITES! A criança que não sabe quais seus limites de comportamento sente-se insegura e não amada. Ela encontrará liberdade quando encontrar-se e conhecer com certeza seus limites! Pais responsáveis tomarão decisões que não agradarão aos filhos. Os que sempre agradam perderão, ao longo do tempo, tanto o respeito como o próprio filho. Por isso, os pais precisam ter limites claros (varia de pais para pais) para si mesmos, e para os filhos.
  1. PRECISA DE DEUS = Não existe educação excelente sem Deus na vida da família por inteiro. Aqui o assunto não é religião... mas, Deus.
Se pais estiverem atentos a essas sete necessidades básicas e procurarem aprender e introjetar em si mesmos e nos filhos... terão andado metade do caminho para terem filhos úteis a si mesmos, aos pais, a sociedade e a Deus. Bons relacionamentos entre pais e filhos não acontecem naturalmente... exigem muito esforço, dedicação, paciência... alicerçados em bases morais e éticas sólidas, embasadas em valores eternos.

Mas, segundo a Bíblia, “das crianças não é o Reino dos Céus”?  Ledo engano. Aprenda isso no próximo artigo.Amém






quinta-feira, 7 de março de 2019

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER... e AS MINHAS MULHERES!



Na verdade todo dia deveria ser dia da mulher. Também do homem, da mãe, do pai, dos avós, dos filhos. Simplesmente porque todo ser humano deveria ser respeitado, homenageado, amado... todos os dias, como seres “criados à imagem e semelhança do Criador”. Mas, independente disso, hoje se comemora o DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Benditas sois! Principalmente... minhas lindas e queridas mulheres! Ah! Não sou bígamo ou polígamo. Veja mais adiante...

Muito se tem escrito sobre a origem da data. Até este autor, no passado, se meteu a escrever sobre o “dia internacional da mulher”. Cometi alguns erros por não ter feito uma pesquisa mais profunda. Posso cometer outros, mas... quem sabe, não mais. A premissa não foi que a data se tornasse comercial, como se tornou todos os outros: dia das mães, dos pais, dos avós, natal, etc. O “dia internacional da mulher”, também, não teve objetivos comerciais... embora, já esteja se tornando. Se sua origem foi nobre ou não, depende do ponto de vista de quem a vê ou escreve. A intenção deste artigo é ser isento de quaisquer vieses políticos. Espero que consiga; pois ela tem raízes profundas e, infelizmente, também, políticas. Escrevi, certa vez, que a origem da data foi um grande incêndio ocorrido em uma fábrica de tecido em Nova Iorque (EUA) com a morte aproximada de 130 tecelãs. O incêndio realmente ocorreu, mas, essa não é toda a verdade. Os fatos são controversos. 

O Brasil é um dos poucos países que apontam o incêndio em Nova Iorque, dia 25 de março de 1911, 17 horas, domingo, ocorrido na Triangle Shirtwaist Company, quando morreram 146 trabalhadores (125 mulheres e 21 homens, maioria judeus). Essa fábrica tinha cerca de 600 trabalhadores. A maioria era composta por mulheres imigrantes judias e italianas entre 13 e 23 anos que, nesse dia, reivindicavam, trazendo à tona as más condições de trabalho das mulheres. Claro está que tal acontecimento recrudesceu o movimento libertário feminino, do ponto de vista político socialista. Entretanto, já havia esse tipo de luta das mulheres em datas anteriores.

Traçando uma “linha do tempo” na agenda feminista, no último domingo de fevereiro de 1909, também em Nova Iorque, cerca de, 15 mil mulheres fizeram uma marcha reivindicando melhores condições de trabalho, sob a liderança do Partido Socialista da América. À época, além de terem salários até 70% menores que os homens, trabalhavam até 16 horas diárias incluindo, muitas vezes, o domingo como dia de trabalho obrigatório. Em 18 de março de 1910 mais de um milhão de pessoas foram mobilizadas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A luta na Europa e na América do Norte era pelo direito ao voto, permissão para ocupar cargos públicos e o fim da discriminação sexual no trabalho. 

Concomitante, na Europa, o movimento recrudescia, principalmente nas fábricas, pelos mesmos motivos das americanas. Em agosto de 1910 a alemã Clara Zetkin propôs, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres, em Copenhagen, na Dinamarca, uma agenda para reivindicações. Na verdade o que ela propôs foi que houvesse uma “jornada anual de manifestação das mulheres pela igualdade de direitos”. O primeiro dia oficial das mulheres, então, seria comemorado em 19 de março de 1911.

Em 1917, crê-se, o impulso tenha sido o mais forte. Um grupo grande de operárias russas – mais de 90 mil - foi às ruas para protestar contra a fome e contra a Primeira Guerra Mundial (28/07/1914 – 11/11/1918). Essa manifestação ficou conhecida como “Pão e Paz”. Historiadores afirmam que esse ato foi o pontapé inicial da Revolução Russa. Tal fato aconteceu no dia 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no antigo calendário russo), sendo o marco oficial para a escolha da data – 8 de março – como o “Dia Internacional da Mulher”,  oficializado apenas em 1921.

Apesar de todo esforço, a data foi esquecida por muitos anos e somente voltou à baila nos anos 60 do século XX, com o movimento feminista inflando por todo o mundo. 

A ONU só viria a oficializar o Dia Internacional da Mulher em 1975; ano este que foi denominado de Ano Internacional da Mulher. Como se pode notar, desde os primeiros movimentos ocorridos faz mais de um século, na maioria das vezes, as mulheres ainda são tratadas como inferiores. Muito se tem feito e melhorado, entretanto, ainda existem preconceitos e machismos, inclusive nos arraiais evangélicos e católicos. Verdade que, boa parte disso, deve-se, também, a falta de autovalorização das próprias mulheres. Esse é tema para outro artigo. 

No Brasil, principalmente, a data é marcada por um misto de comemoração, homenagens e protestos. Comemorações e homenagens são sempre boas. Os protestos: tem coisas boas e coisas ruins. Há algumas igualdades requeridas que fogem ao propósito divino da criação. Há outras que são bem vindas... mas, esta não é a razão deste artigo. 

O objetivo inicial não foi o de, apenas, homenagear ou comemorar. Era, através de conferências, debates e reuniões mundo afora, discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço sempre se concentrou em tentar minimizar, diminuir e até acabar com o preconceito e desvalorização da mulher. Mesmo com tantos avanços, as mulheres, em muitos locais, sofrem com salários mais baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho, desvantagens na carreira profissional. Verdade que muito já foi conquistado, mas há ainda muito a caminhar e modificar.

Um dos grandes marcos para a mulher brasileira foi a data de 24 de fevereiro de 1932. Nesse dia foi instituído o voto feminino. Só a partir daí, as mulheres puderam votar e serem votadas. Infelizmente, no mundo chamado de “cristão”, ainda há, também, muito preconceito. Igrejas e denominações ainda existem em que a mulher não pode, ao menos, fazer oração silenciosa. Sem entrar nas questiúnculas e na mais absoluta ignorância hermenêutica existente, de boa parte dos cristãos sobre a questão da “submissão” da mulher; apenas afirmar que, o preconceito existe pelo mais absoluto desconhecimento do evangelho libertador de Jesus Cristo, onde “não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28 NVI). 

Na Bíblia, as mulheres sempre exerceram forte liderança. Que dizer de Sara e seu lânguido sorriso ao saber que iria ser mãe geradora da nação hebréia? E os cânticos de Miriam, Débora e Ana? Mulheres de alegria contagiante e que fizeram parte da História da Salvação. E Rute? Mulher exemplo de solidariedade, humildade, companheirismo que, embora estrangeira, fez parte da história de Jesus. Que dizer de Jael, exemplo verdadeiro na luta de resistência? Ainda há Ester, a rainha, que com determinação expôs sua própria vida para salvar seu povo. A lista é grande de mulheres que foram exemplos de fé e que marcaram a atuação feminina para sempre. Suas lutas eram outras – e muito melhores – do que aquelas causas das “mulheres modernas”. 

E por que não dizer de Maria, a mãe de Jesus? Aquela que foi “bendita entre as mulheres”? Ao pé da cruz de Jesus, a Bíblia afirma a presença de “santas mulheres”, enquanto os discípulos se escondiam amedrontados. E que dizer de Marta e Maria, as irmãs de Betânia, amigas pessoais de Jesus, cujo irmão Lázaro, ressuscitou? Os evangelhos mostram inúmeras mulheres que seguiam a Jesus desde a Galileia, o que, na prática, as tornavam suas discípulas. 

Deus na sua Onipotência imarcescível criou a mulher... joia rara. Dotou-as de atributos estupefacientes: a maternidade que perpetua a raça; o amor incondicional à semelhança dEle; o companheirismo que é o suporte masculino; a percepção antecipada das coisas e tantos mais. Quais gotas sobre o rocio matinal, o elemento feminino transforma-se e multiplica-se: mulher, mãe, esposa, filha, companheira... e sabe-se lá o quanto mais. Deus na sua Onipotência fê-la especial, obra prima da criação. Fê-la simplesmente “MULHER”.

E... as minhas mulheres? Cá, do meu simples cantinho, ainda homenageio minha querida mãe, que já descansa nos braços do seu Mestre e Senhor: a dona Rosinha. Analfabeta... mas, cheia de sabedoria, bondade, amor, submissão cristã e, acima de tudo, fidelíssima ao senhorio de Cristo. Homenageio aquela mulher especial que escolhi para ser minha esposa, companheira, amiga, amante, namorada e cúmplice: Jacira. Minha doce morena de sorriso largo e fácil. Mulher de fibra, lutadora, estudiosa e, sobretudo, mulher de Deus! Além disso, Deus deu a mim o privilégio de ser pai de duas joias raras, duas mulheres especiais: Junia e Jane. Por sua vez, estas também me deram três netas lindas, graciosas, especiais: Laura Elis, Lorena e Eloah. Dizem que ser avô é ser pai duas vezes. Amo isso! Dizem, também, que avô é o “burro que o filho amansou para que o neto montasse”! Não sei se isso é verdade... apenas, sei que essas netas são lindas e especiais. Espero que os netos não fiquem bravos... mas, agora é a vez das mulheres. Amo de paixão minha querida irmã Damaris, a Lilinha, única mulher entre seis irmãos. Apesar de todos os problemas sérios de saúde, continua a sorrir e lutar, firme nas promessas do seu Senhor e Rei Jesus. E como esquecer a minha sogra Ilma Maria? Mulher de fibra, guerreira. Como diz a filha Jacira, minha amada, sobre a mãe: “uma é o focinho da outra”. Homenageio também minhas cunhadas, primas e sobrinhas. São tantas que não quero cometer a indelicadeza de esquecer alguma. Todas são especiais e amadas. Posso até não expressar muito esse amor... mas, amo de verdade a todas. Se, esqueci de alguém... perdoem a este ser macróbio, pois a mente já não se lembra de tantas coisas. Obrigado mulheres da minha vida. Vocês são fantásticas e embelezam meus dias. Que Deus as abençoe ricamente.  Às “mulheres da minha vida”, acima citadas e a todas as mulheres que lerem este artigo, dedico o poema, a seguir, que escrevi para homenageá-las. 

  ODE À MULHER VIRTUOSA
(acalanto de Provérbios 31:10-31).

Uma mulher exemplar...
Feliz quem a encontrar!
É muito mais valiosa que rubis.

Na minha Bíblia... faz muito tempo,
Escrevi sem qualquer contratempo:
Eu já a encontrei!

Seu marido nela tem plena confiança...
A falta de algo não a deixa sem esperança!
Ela só faz o bem, e nunca o mal.

 Escolhe o alimento e o lazer...
A tudo faz com muito prazer!
É como navio mercante trazendo provisões.

Antes do alvorecer está de pé...
Preparando o delicioso café!
E não se esquece das ordens do dia.

Ela avalia o mercado e toma decisão...
Sabe que lucros dependem da precisão!
Entrega-se com vontade ao seu trabalho.

Seus frágeis braços tornam-se vigorosos...
Sua mente arguta faz ganhos preciosos!
Seu coração é como lâmpada acesa durante a noite.

Acolhe os necessitados e estende as mãos ao pobre...
Mas, também, administra tudo de forma nobre!
Não teme a adversidade quando chega o inverno.

Veste-se sobriamente de modernidade...
Reveste-se de força, amor e dignidade!
Sorri, enigmática, diante do futuro.

Seu marido é respeitado nas ruas da cidade...
Pois tem dela a mais pura e feliz autoridade!
Vinda da sabedoria e ensinada com amor.

Cuida dos negócios não dando à preguiça lugar...
Sabe que a tudo e a todos precisa superar!
Sabe que a beleza é enganosa e a formosura fugaz.

Por isso recebe este merecido elogio...
Sincero como orvalho em matinal rocio!
Exemplo de mulher e de sincera amiga.

Por isso, mulher cristã... és totalmente especial!
Aos olhos do Pai... és Linda demais!
Princesa, Rainha... Mulher de verdade!

quarta-feira, 6 de março de 2019

POR FALAR EM AMOR...


Eu, e muita gente, víamos o amor como uma grande virtude da vida. Hoje, não tenho dúvidas de que O AMOR é muito mais que isso: é a própria vida. Há quem diga que é a única virtude da vida, da qual dependem todas as outras. O amor é o único elemento eterno. O único que ultrapassará os umbrais da eternidade, passando intacto pela morte. Não tenho intenção, e nem quero, escrever sobre o amor de forma poética, ou filosófica, ou teológica, ou de outra qualquer forma.

Quero escrever sobre o Amor, da forma como Deus o concebeu. Para tanto, quero usar os termos encontrados na língua grega: a língua onde se expressaram os “homens de Deus”, ao transmitirem Suas mensagens.

“Eu te amo”, “vamos fazer amor”, “amo de montão minha amiga”; são expressões do cotidiano na vida da humanidade, na maior parte das línguas. O termo “amor” é o mesmo para todas essas diferentes conotações. Amor... mas o que esse sentimento significa? Que conotações diferentes o termo tem, quando na língua portuguesa se faz uma tremenda confusão ao se usar AMOR, sentimento lindo e santo, com sexo puro e sem sentimento, por exemplo? É preciso deixar claro, como princípio, que qualquer pessoa que tenha estudado filosofia analítica entende que palavras como Amor (e tantas outras), não podem ser definidas, assim como a vida é indefinível, na sua essência. As definições humanas dessas palavras são “funcionais, descritivas” e não definitivas. Então, vejamos...
São três as palavras básicas, no grego, usadas para amor: “Philéo”; “Éros”; “Ágape”. Quais os significados, de forma superficial?

a) Philéo (Filéo = gostar de, amor fraternal) > é a palavra mais empregada e indica uma atração geral para com uma pessoa ou coisa.   Em primeiro plano está o significado de amor para com parentes e amigos (cf. a formação típica de philadelphia, o “amor pelo irmão”); mas engloba afeição amorosa para com deuses, homens e coisas como objetos possíveis. “Philía” denota “amizade”, “devoção”, “favor”. Filantropia é, etimologicamente, saída de “philía”. Há um número muito grande de palavras que se compõem com origem nessa palavra (philía), tais como: hospitalidade, afeição, amizade, amigo, e, em muitos casos, está associada a “favor” e até a “beijo” como sinal de amor por alguém, no sentido de amizade.  Pode-se dizer, então, que “philéo” no grego, é o amor que se sente por um amigo, por um parente, pelos familiares.

b) Eros = Aqui, o sentido é aquele do “amor” que deseja ter ou possuir. É o amor apaixonado, o amor que deseja fisicamente! A conotação mais comum de “éros” é o amor entre um homem e uma mulher que abrange o “anseio”, o “anelo”, o” desejo”.  “O deleite dos gregos na beleza do corpo e nos desejos sensuais achava expressão aqui, na abordagem dionisíaca à vida, e sua sensação dela. O êxtase sensual deixa muito para trás a moderação e a proporção e, os tragedianos conheciam o poder irresistível de Eros – o deus do amor tinha o mesmo nome – que, no caminho do êxtase, esquecia-se de todo o raciocínio, vontade e discrição”. (COENEM, Lothar e BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, pg.113). De “éros” vem, portanto, as palavras “erótico”, “erotismo” e seus cognatos.  Está claro, portanto, que o erótico (éros) está intimamente ligado ao lado sexual do amor, do relacionamento.

c) Ágape = a origem desta é muito controvertida. Não está clara sua etimologia. O vocábulo “agapao” aparece frequentemente na literatura grega de Homero em diante, mas o substantivo ágape é uma construção que só aparece no grego posterior. É uma palavra descolorida no grego, e aparece, com freqüência, como alternativa para “éros" e “philéo”, com o significado de “gostar de”, “tratar com respeito”, etc. Esta palavra precisaria de um “livro inteiro e muito grande” para se tentar definir o seu significado posterior, no que tange ao amor de Deus.

Vou sintetizar! No Novo Testamento (Bíblia) “agapao” e o substantivo “ágape” tomaram um significado especial, sendo que se empregam para falar do amor de Deus ou o modo de vida que nEle se baseia.

No judaísmo helenístico e rabínico, “ágape” ficou sendo o conceito central para descrever o relacionamento de Deus com o ser humano, e vice-versa. Apesar dos matizes místicos gregos e orientais, a palavra manteve suas implicações básicas do Antigo Testamento. Deus ama Seu povo no meio de toda aflição que este se encontra. O fiel corresponde a esse amor à medida que obedece Suas leis e imita a compaixão zelosa de Deus. A pessoa que recebe o amor (ágape) de Deus; ama até seu inimigo. Razão?  Porque o amor de Deus (ágape) adentrando ao coração do ser humano, torna este pleno de amor. Aí o amor “philéo” e o amor “éros” se doam por inteiro.  Isso significa que o amor “ágape” (o de Deus), permeia o amor amizade, bem como o amor erótico.  Assim, o ser humano tem condições de amar plenamente. O amor “ágape” precisa e só alcança seu valor máximo quando o ser humano “ama ao próximo como a si mesmo”.  Não há possibilidade humana de se amar ao próximo de modo pleno, se o amor “ágape” não habitar plenamente no seu interior. Assim, o cônjuge que ama, só pode amar fielmente e inteiramente com amor “éros e philéo”; se o amor de Deus (ágape) fizer parte de sua vida. Isso significa que o amor “ágape” precisa ser pleno e diuturno na vida das pessoas.

“Fazer amor” sexo (éros) por instinto, apenas, é só “éros”.  “Fazer amor” (éros), se permeado de “ágape”, implica em fidelidade, respeito, amizade, coerência, doação, vida verdadeira e comunhão com o cônjuge e com Deus. Só o amor “éros” é puro sexo animal.

Quero destacar um texto da Bíblia para exemplificar a prática desta palavra. É o texto de I Coríntios 13. Ali, o amor, quando fruto do próprio amor de Deus, transforma os homens conforme a imagem moral de Cristo e recebe dezesseis descrições diversas (vs. 4-8). Todas essas expressões de amor são descritas por meio de verbos, e não por adjetivos, como indicação de que o amor é uma força ativa e dinâmica, jamais estática. Esse trecho termina dizendo que o amor “nunca falha”.

A seguir, são sugeridas as formas que as descrições do amor “ágape”, que permeia o amor “éros” e o amor “philéo”, podem assumir quando se aplicam a ação do ser humano em todos os níveis de seus relacionamentos: (extraído do Novo Testamento Interpretado, de CHAMPLIN, Russell Norman; vol. 4, pg. 203).
a)   É desejo, em sua forma pura, pelo bem-estar de outros; e isso sem importar se é o nobre desejo de Deus em favor da redenção humana (Deus é amor), ou se é o amor que um ser humano tem por outro.
b)   É uma modalidade de louvor e exaltação, reconhecimento de valor de outrem, como se dá no caso do amor que o homem pode ter por Deus.
c)   É o “enchimento” de um homem com um elevado ideal ou dedicação, como sucede quando um homem serve ao próximo ou a Deus.
d)   É a adoração prestada a outrem; e isso sem se importar se do homem para com Deus, ou se de um ser humano para outro.
e)   O amor ao próximo consiste em querermos para o próximo o mesmo que queremos para nós mesmos.
f)   Por conseguinte, o amor consiste em estimarmos ao próximo como estimássemos a nós mesmos. A auto-estima leva-nos a “cuidar” de nossa própria pessoa, protegendo-a, providenciando o que lhe é necessário, sacrificando-nos por seu bem-estar. Quando cuidamos do próximo como cuidamos de nós mesmos, amamos a essa pessoa como a nós mesmos; e se esse amor ao próximo não atingir esse nível, então o nosso amor será proporcionalmente débil.

Você, leitor, Ama?  Quando você diz que ama seu pai, sua mãe, os amigos, seus filhos, os parentes... está falando do amor “philéo”. Quando você expressa amor pelo seu cônjuge, está falando do amor “éros”. Perceba que são tipos de amor diferentes. Mas a língua portuguesa não faz a diferença. É preciso explicá-las. Já no grego, o uso de cada termo define por si só e diretamente. Você ama seu cônjuge, namorado, noivo e etc.; com atração física, com desejo, com “tesão”? É o amor “éros” falando mais alto. Todos nós temos e sentimos essas duas conotações do amor. São sentimentos legítimos, gostosos. Humanos... mas que emanam de Deus, porque o amor nasceu no coração de Deus e foi transmitido a nós. O ser humano o tem deturpado. E, neste caso, a deturpação acontece por falta do amor “ágape”.

O amor humano baseado no “ágape” (o de Deus), ultrapassa a todo amor humano possível. Só esse tipo de amor é capaz de produzir o verdadeiro amor “philéo” e o verdadeiro amor “Eros”. Isso não significa que o amor “Eros” e o “philéo” não existam e não estão por aí, por si sós. Eles existem, mas carecem de um sentido mais real, profundo, verdadeiro. O verdadeiro amor, baseado no “ágape” de Deus é aquele amor que “é sofredor, é benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... porque ele NUNCA FALHA”.


                                          


CARNAVAL 2020! O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA!

Neste artigo vou ser mais intimista. Vou usar o pronome na primeira pessoa. Normalmente não falo ou escrevo sobre aquilo que não sei, ...