quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

UM GRITO DEIXADO NO AR: o Suicídio (inclusive de pastores) (7ª Parte)


Depressão IV – “Como ajudar”. O depressivo dá sinais por muito tempo. É preciso estar atento! Família e amigos próximos são os que mais podem ajudar na percepção do problema. Depressivos são, normalmente, pessoas em extrema passividade. Vivem desmotivadas e, dificilmente, se motivam. A característica básica é a resignação. Normalmente, na tentativa de ajuda por parte de alguém, o depressivo se expressa: “já tentei, não vale a pena” ou “eu sei, mas, não vejo saída”; ou ainda, “cheguei no meu limite” e outra frases correlatas.

As crises são os momentos mais terríveis do que sofre depressão. Vem o choro, a tristeza lancinante, o isolamento e, até, a tentativa de suicídio. A família e os amigos são essenciais nessa hora. Os mais chegados precisam estar prontos, aptos e disponíveis para escutar e acolher... pois, tudo que a pessoa precisa é de um bom ouvido, de atenção, de cuidado. Li a seguinte frase de Roberto Grellert (do CVV):  “Na hora de acolher, é preciso respeitar o tempo do paciente, manter-se sensível, empático e acompanhá-lo sem pressa. Para isso é importante focar na pessoa, seus sentimentos, valores e possibilidades”. Os parente e amigos, por mais trabalho que dê, precisam entender que, nesses momentos, o que a pessoa depressiva necessita é DE GENTE! Mas, de gente com elevada autoestima, com positivismo, com disponibilidade para ajudar corretamente. Não é a hora para sermões ou lições moralistas. É hora de empatia, compreensão, conforto, respeito e informações corretas de como a depressão pode afetar e causar transtornos. Estimule o depressivo a fazer catarse¹ e ouça atentamente... olho no olho. A seguir seguem algumas sugestões simples para não profissionais, até que o depressivo possa receber ajuda especializada.

a) Evite deixar o depressivo só. Solidão é algo terrível para o depressivo. Ele precisa ter sua mente e corpo ocupados. Ele precisa muito de gente ao seu redor. Todos ao redor precisam se tornar uma família unida. Sempre, aqueles que estendem a mão para ajudar, acabam recendo mais ajuda. É uma via de mão dupla. Ao ajudar o depressivo, a pessoa também é ajudado e, dificilmente, virá a se tornar um deprimido. A igreja – independente de credo – precisa ser um pronto socorro espiritual e emocional. Por que as igrejas não se preocupam tanto com isso? Por que as igrejas não fazem, também, algo como grupo de “depressivos anônimos”? Quantas pessoas seriam ajudadas e, inclusive, poderiam ser levadas a conhecerem o senhorio de Cristo e a consequente salvação? A Bíblia é uma enciclopédia sem fim e com finalidades múltiplas. Não apenas para a salvação... mas, também, para tratar os feridos da alma, os traumas, as crises existenciais e muito mais. Veja alguns exemplos!

Paulo, o apóstolo, certa vez, sentiu-se triste e abandonado (II Timóteo 4:9-18). Sentiu-se abandonado e reclamou disso. Afirmou que sentia a solidão e estava muito triste. Precisava sentir o carinho de pessoas amigas e confiáveis. Escrevendo a igreja de Colossos (4:7-14), Paulo escreve o nome de alguns companheiros e diz que “eles têm sido fonte de ânimo para mim” (vs. 11b). Esses animaram Paulo e o ajudaram a não entrar em depressão. Quando, num momento de desespero, Elias fugia da rainha Jezabel, precisou de consolo. Não havia gente por perto. Portanto, Deus mesmo precisou enviar um anjo para confortá-lo (I Reis 19). Qual foi o conforto? Além da presença de um anjo, este garantiu que Elias tinha uma multidão de sete mil pessoas com quem ele podia contar. Perto do momento de enfrentar-se com a morte, o próprio Jesus sentiu-se angustiado. Que fez? Chamou três discípulos para estarem e orarem com Ele (Mateus 26:37-39). O próprio Filho de Deus angustiou-se numa “tristeza mortal” (vs. 38). Outras figuras bíblicas poderiam ser citadas, porém, estas bastam para garantir que todos os mortais, cristãos ou não, passam por momentos de depressão. Em todas eles, esses personagens precisaram da presença de pessoas amigas para darem o conforto e a ajuda necessárias.

b. Necessidade de ajuda espiritual, emocional e profissional. O ideal é a ajuda concomitante. Não é hora de juízo de valor. Não há desonra alguma em tomar medicação antidepressiva, por certo tempo. Conselheiro religioso, psicólogo e médico precisam falar a mesma língua e, também, trabalharem em conjunto em favor do depressivo. Entretanto, cada caso deve ser tratado de forma individualizada. As origens da doença são diferentes, os sintomas também e, portanto, o tratamento também. O importante é que os profissionais se respeitem e queiram apenas ajudar o paciente e, por isso, abram mão do individualismo e formem uma equipe multifuncional em favor do doente (porque depressão é doença). Um alerta a religiosos (pastores, padres e outros): se esses conselheiros forem leigos, entendam que não têm condições técnicas de fazer avaliação psicológica ou médica. Não ouse decidir sozinho que os sintomas físicos são somáticos. Não avalie sozinho se a depressão tem se expressado por origens psicológicas, mentais ou físicas. Entretanto, um religioso criterioso e aberto, poderá ser de altíssima valia no tratamento. É preciso que todos os profissionais estejam abertos ao compartilhamento entre si.

c. O depressivo é parte integrante do processo. Todos os profissionais precisam, definitivamente, entender que o paciente depressivo é parte integrante do processo de cura. Por isso, todo o processo e motivos da depressão têm que ser discutidos com o doente. Transparência, sinceridade, franqueza, respeito, empatia... são extremamente necessárias. O depressivo não mais confiará se perceber que estão escondendo algo dele. Qualquer atitude na busca das causas passadas, precisam ser discutidas com o paciente. Ele precisa sentir que os profissionais são competentes, amigos e o querem ajudar de verdade.

d. O estímulo ao pensamento realista. Ao instalar-se a depressão, normalmente, o sentimento que fica é sempre negativista e de autocríticas infundadas. As expressões mais comuns são em torno de: “Não valho nada”; “Ninguém gosta de mim”; “Nada que faço está certo”; “não tem mais jeito” e outras parecidas. Precisa ser estimulado a entender que ninguém é perfeito e que, possivelmente, só tenha cometido um erro... como todo mundo. Assim, seu fracasso momentâneo não significa que “não valha nada” ou “nunca faz nada certo”. Infelizmente há um cristianismo equivocado sendo pregado por aí. Um cristianismo onde a pessoa é levada a pensar que os seres humanos precisam sempre estar alegres, felizes, pra cima. Nesse tipo de cristianismo não há lugar para aborrecimentos e tristezas. Ao perceber que a vida tem “vales sombrios” e “dias maus”, o cristão se percebe um fracassado espiritual e, normalmente, a depressão jaz à porta. A solução passa por uma drástica mudança de atitudes com os pensamentos. Por isso, a pessoa precisa de ajuda, jamais de crítica.

e. Mudança de ambiente. Isso precisa ser levado em conta. A família e amigos precisam pensar seriamente nisso, se for preciso. Pode ser necessária a mudança da rotina diária. Aí pode ser incluída uma boa féria longe do ambiente costumeiro, redução de jornada de trabalho e, até, passeios e atividades amiúde, em conjunto, com a família. A família precisa entender que ela também está doente e precisa aprender – com profissionais – o que deve fazer para ajudar o depressivo.

f. Questão de fé. Estes artigos são direcionados basicamente a cristãos, ou seja, pessoas que crêem em Deus e naquilo que a Bíblia ensina. Não poucas vezes, diante de situações críticas e nas passagens pelo “vale da sombra da morte”, o cristão tende a duvidar da sua fé e passa a achar que Deus não olha para ele. É preciso estimular a estudar e perceber a maneira de Deus agir. Quase sempre, Deus age de forma diferente daquela que as pessoas desejam. O método de Deus é sempre o melhor, afinal, Ele não vê apenas o presente... mas, todo o amanhã. Por exemplo, o apóstolo Paulo aprendeu a viver de forma feliz e em contentamento em qualquer situação (Filipenses 4:2-13). Veja que no verso 12 ele diz que aprendeu a “... viver contente em toda e qualquer situação...” Há que se aprender que Deus dá forças necessárias em qualquer situação. Por isso, será bom um estudo sistemático, profundo e honesto dessas questões, à luz da Bíblia, com o depressivo. O depressivo cristão precisa ser levado à convicção de que Deus controla tudo e sabe, exatamente, das fraquezas e fortitudes de cada pessoa. Isso pode levar ao encorajamento na luta contra a depressão. Sempre haverá uma esperança... com Deus!

Davi passou por depressão profunda a ponto de exclamar ”Direi a Deus, minha Rocha: Por que te esqueceste de mim? (...) Até os meus ossos sofrem agonia mortal (...) Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim?” (Salmo 42:9-11 NVI). O homem Davi muito lutou e aprendeu até poder falar à sua alma: “Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda O louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus” (43:11b) e ainda no Salmo 43:4 pode rejubilar dizendo “Então irei ao altar de Deus, a Deus, a fonte da minha pela alegria. Com a harpa te louvarei, ó Deus, meu Deus!”

O cristianismo equivocado tem produzido mais loucos e deprimidos que o mundo ímpio. Jay Adams em seu livro “Conselheiro Capaz” mostra isso com rara clareza. Se puder, leia. O cristianismo verdadeiro, autêntico e bíblico tem a solução. E ela passa por ajuda espiritual e profissional, juntas. O que tem faltado são verdadeiros “homens de Deus” que não estejam preocupados com o aqui e agora e, muito menos, com a prosperidade financeira. Homens de Deus que estejam preocupados em levar ao mundo o cristianismo bíblico, ou seja, autêntico, verdadeiro e que cura, salva, perdoa.  Até o próximo!
______________________________________________________

1. Catarse. Termo da biologia transportado para a psicologia. É a operação de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente, liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio. Liberação de emoções ou tensões reprimidas.












segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O EVANGELHO QUE A BÍBLIA DESCONHECE!

Poderia chamá-lo de anacrônico... mas não seria a realidade total. Poderia chamá-lo de esdrúxulo, e não seria toda a verdade. Há quem o chame de evangelho do umbigo. Li recentemente um artigo sobre o “evangelho chupa cabra”.  Enfim, todas essas definições são pra dizer que o meu coração de pastor, com trinta e oito (38) anos de lide, anda muito taciturno com o que vejo na igreja evangélica brasileira, com raras exceções. 

Vejo um evangelho ao mesmo tempo anacrônico e esdrúxulo. Um evangelho que não é aquele ensinado por Jesus e seus discípulos.  Não é o evangelho da vida cristã autêntica.  Não é o evangelho dos heróis da fé. Não é o evangelho cujo centro é o Senhor Jesus. Estou conhecendo um evangelho que a Bíblia, verdadeiramente desconhece. Vou nomear algumas esquisitices que percebo hoje em nome do evangelho, da Bíblia, de Deus. Vou, simplesmente, definir algumas coisas que tenho visto em algumas igrejas. Esquisitices evangélicas. 

Pastores há que saem de seminários e faculdades teológicas sem conhecerem a Bíblia; ou não se importam com ela. São picados pela mosca “hollywoodiana”. Preferem viver o “glamour” dos focos luminosos do mundo, do que a humildade de Jesus que, mesmo sendo Deus, esvaziou-se de si mesmo (Filipenses 2). A Bíblia é algo meramente secundário em suas vidas. Um livro de estante. Por isso, o culto que praticam é aquele onde a palavra pregada é vazia e estéril. Quase sempre um amontoado de filosofias e psicologias alheias à Bíblia; relegada a alguns minutos corridos na parte final do culto. Fui convidado a pregar numa igreja, num culto jovem (sic). Fui avisado que o culto terminaria as 21:00 horas. Depois de uma hora e quinze minutos de “louvor e adoração gospel”, e mais alguns de avisos, passaram-me a palavra para a mensagem. Não tive dúvidas: li o texto e avisei que o tempo tinha acabado. Fui embora. Afinal, para esse tipo de “platéia” (e não servos de Cristo), uma mensagem bíblica seria pedante e anacrônica. Certamente iriam me deixar sozinho!

Esse tipo de pastor “hollywodiano” quer toda atenção para si. Os cultos são pândegos. O púlpito vira palco e picadeiro. A membresia de servos não existe... apenas platéia. O negócio é cantar, dançar, gritar e, pasmem, profetizar o que nunca ouviram. Num desses cultos, faz alguns anos, na cidade de Diadema (SP), uma “pastora”, com a maior cara de pau “profetizou” que ouvira de Deus que uma determinada irmã, solteirona, da “platéia” iria se casar com um homem que, também, estava na “platéia”.  Poucos meses depois os dois estavam casados... afinal, fora revelação profética. Nem é preciso dizer que o casamento não durou seis meses. 

A pastorlatria, e ou, autolatria, chega ao cúmulo quando não mais se ouve falar de “igreja tal (batista, metodista, presbiteriana, assembléia, etc.). O que mais se ouve é “a igreja do apóstolo tal, do bispo tal, do pastor tal).  Menos ainda se ouve dizer: - A igreja de Jesus Cristo a qual sirvo! Fora isso há as toalhas abençoadas com o suor do dito cujo, os vidrinhos com água do rio Jordão, o óleo ungido e outras tantas esquisitices de um “evangelho” (sic) que não é o da Bíblia. 

Os cultos nesses arraiais só são bons se houver um estado de catarse profundo. As pessoas devem sair dos “cultos” suados de tanto glorificar.  Assisti (o que é diferente de participar) a um culto na cidade de Jundiaí (SP), onde o preclaro pastor levava a igreja inteira a gritar e pular bem alto para que, ao bater o pé no chão, esmagasse a cabeça de satanás. Só rindo! Até parece que Cristo já não fez isso. Aquilo mais parecia uma academia onde as pessoas praticavam aeróbica. 

Igrejas há onde a mensagem sobre inferno, salvação, perdão, reconhecimento de pecado, vida cristã, senhorio de Cristo... inexiste faz muito tempo. O negócio é deixar a “platéia” feliz e garantir a prosperidade. Isso é hedonismo, não cristianismo. Não compromisso sério com Jesus Cristo. As pessoas não mais se preocupam em parecer com Cristo, mas em parecer com o mundo e seus atrativos. Não existe um chamamento ao compromisso e a fidelidade a Jesus Cristo. 

Pertencer a Cristo é outra coisa. Pertencer a Cristo é ser servo dEle! É submeter-se à Sua soberana vontade. Quem, de verdade, pertence a Cristo é feliz, apesar das vicissitudes da vida. A pessoa que pertence a Cristo é feliz porque luta diariamente pela sua santificação; reconhecendo que é miserável pecador e totalmente dependente da graça de Jesus Cristo.

Parece que nessas igrejas não se conhece a galeria dos heróis da fé de Hebreus 11. Não se conhece a história de Policarpo, de C. S. Lewis, de Richard Wurmbrand, Dietrich Bonhoeffer, do apóstolo Paulo, do pastor Youcef e tantos outros que morreram, ou quase, pela fé em Cristo. Nessas igrejas não se tem conhecimento de textos como o de Marcos 13:9-13. A teologia da prosperidade - e similares - só sabe usar “posso tudo naquele que me fortalece”, totalmente fora do contexto (assim vira pretexto), pois não conhece o que é hermenêutica. Os fins são escusos. Foi Jesus quem disse: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mt. 6:33-34 NVI).

“Duas filhas tem a sanguessuga. Dê! Dê!, gritam elas” (Provérbios 30:15). Creio que este é texto básico dessas teologias, sem verificação do contexto. O que se vê é uma ridícula criação de novas teologias sem quaisquer ligações sérias com a Bíblia Sagrada. A mim me parece que cada “inventor de uma nova teologia” a patenteia como sua e nem quer saber se Jesus Cristo a aprova. Afinal, o “santo homem de Deus” é intocável e sua palavra está acima da Palavra de Deus... e ainda criticam o catolicismo pelas bulas e encíclicas papais. Que evangelho diabólico é esse!

O que sabem dizer é “Dê! Dê!, como abutres e sanguessugas modernos estribados em qualquer coisa, menos na Palavra de Deus, embora a usem amiúde e inescrupulosamente. Interessante que após sugar até a última gota... largam suas presas ao relento, aos seus problemas e dificuldades. Afinal, já serviram aos seus instintos carnais. Que o digam os milhares de “desigrejeiros” (esse termo eu li em um artigo do saudoso Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho). 
Falando em pastor Isaltino Gomes, recomendo aos meus leitores a leitura de um antigo artigo dele intitulado “Religião ou Magia”. Lá, ele trabalha a questão de que os “cristãos” confundem religião com magia e o fazem em cima de três fatores: a) A Bíblia vista como livro de receitas mágicas; b) o pastor que é visto como pajé; c) e o culto entendido como manipulação de forças espirituais. Vale a pena ler o artigo. 

“De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:12 NVI). “... pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele...” (Filipenses 1:29 NVI). Por que quase ninguém ensina mais esses textos? Dietrich Bonhoeffer foi enforcado no campo de concentração de Flossenburg, na Alemanha, em 09 de abrir de 1945, por causa de sua fé. Ele deixou escrito que o sofrimento é o sinal do verdadeiro cristão.

O cristianismo precisa voltar às suas origens bíblicas. Precisa deixar de ser egocêntrico e ser o que sempre deveria ser: CRISTOCÊNTRICO. Ah, se a igreja e os líderes se espelhassem no apóstolo Paulo que teve a ousadia de dizer duas coisas que me estremecem. A primeira está em Gálatas 6:17: “Sem mais, que ninguém me perturbe, pois trago comigo as marcas de Jesus” (NVI). A segunda está em I Coríntios 11:1: ‘Tornem-se meus imitadores, como eu sou de Cristo” (NVI).

Quais as minhas marcas espirituais que me identificam como seguidor de Jesus Cristo? Quais as marcas espirituais que deixam essas igrejas e líderes que os marcam como servos de Jesus Cristo? Pobres igrejas e miseráveis líderes. Deus vai pedir contas. Definitivamente... esse evangelho não é o verdadeiro evangelho deixado por Cristo e seus discípulos: o evangelho da Bíblia.  Amém 

UM GRITO DEIXADO NO AR: o Suicídio (inclusive de pastores) (6ª Parte)



Depressão III – A depressão “neurótica”. As aspas de “neurótica”, também, são propositais. O termo, não poucas vezes, não é bem aceito por cristãos “religiosos”, no contexto do conceito bíblico farisaico. Mas, o uso do termo é correto. É a depressão produto de neuroses e que precisa de ajuda profissional. Ajuda essa que, quase sempre, é sofrida e demorada. Os “pantanais do desânimo” e os “vales sombrios” da vida não são episódios anormais e, muito menos, torna a pessoa cristã indigna da graça e misericórdia de Deus. 

Simplesmente, esse tipo de depressão exige ajuda profissional séria, muito mais que aquela depressão dita “normal”. Quase sempre é necessária a ajuda em três vertentes: médica, psicológica e espiritual. Entretanto, é bom frisar que o depressivo precisa de ajuda séria. Médico, psicólogo e pastor precisam gozar de extrema confiança do paciente e da família e, além disso, os três profissionais precisam estar sintonizados em seus propósitos e, na medida do possível, trocarem opinião entre si. Isso posto, aí vão alguns sinais evidentes de uma “depressão neurótica”. Não são os únicos... mas, são mais evidentes e servem de alerta para que os familiares procurem a ajuda profissional necessária e adequada. A ordem abaixo é aleatória e sem qualquer valoração ou ordem de importância objetiva.

Há o “Sentimento de Incapacidade”. Não poucas vezes as pessoas se vêem em um “beco sem saída” diante de situações difíceis da vida. Nesses momentos há um sentimento de frustração profunda por não conseguir exercer controle sobre a situação. Vagarosamente, vai sentindo o introjetar da incapacidade de mudar a situação vivida e, a consequência, é a depressão. É preciso exemplificar. Exemplos são apenas exemplos, pois muitos passam por tais crises incólumes. Cada pessoa é diferente da outra e, por isso, as reações são diferentes. Todavia, quando os exemplos dados aqui são reais, a pessoa entra em depressão. Há os que ficam extremamente fragilizados pela morte de pessoas queridas, por exemplo. Não se conformam com a perda e sabem que, jamais, poderão trazê-las para o convívio novamente. Aquela pessoa que estuda muito, faz várias vezes um vestibular e nunca consegue ingressar numa faculdade, pode sentir-se tão incapaz e dar lugar à depressão. Pais que sempre trataram seus filhos como um “mimo pessoal”, ao perderem os mesmos para as drogas e congêneres e ou não conseguirem mais ter o domínio sobre eles, também podem se entregar à neuroses depressivas. Há muitos que não têm o equilíbrio necessário para aceitar a idade macróbia e de que não conseguem reverter o tempo que passou... por isso, podem ser levados ao desânimo total. 

Um outro é o “sentimento de culpa”. Existem vários tipos de culpa, objetivas ou não. Esses “tipos” não serão tratados aqui. Todavia, o fato concreto é que as pessoas, não poucas vezes, sentem culpas (objetivas ou não). O que acontece? Há uma procura – consciente ou não – pela autopunição. Quase sempre, de forma consciente ou não, o sentimento de que quebrou alguma lei ou valores espirituais são relacionados e introjetados. A consequência lógica desse tipo de culpa e autopunição, é um estado de prostração e mergulho profundo em tristeza. Quando essa tristeza chega a um estado destrutivo, está instalada a depressão. Aqui vai um alerta sério a pastores ou religiosos que procuram, verdadeiramente, ajudar pessoas que vivem esse estado de culpa e autopunição: jamais introjetem em alguém qualquer sentimento de culpa para que, confrontado com a Bíblia, a pessoa seja levada ao perdão. Isso pode ser perigoso, pois, se o perdão não for sentido e vivenciado; o sentimento de culpa será exacerbado e o suicídio estará batendo à porta. Pastor, você não é Deus; se não entende que a culpa pode não ser apenas espiritual, peça ajuda também. 

O “sentimento de ira” é outro vilão. Ira é um intenso sentimento de ódio, de rancor que é dirigido a alguém – ou grupo – em razão de alguma ofensa (real ou não) que causa rancor. Isso se transforma em fúria, cólera e indignação, num primeiro momento. Às vezes, a pessoa tem medo da sua própria reação diante da situação incontrolável de ódio; pois, a afirmação da sua vontade foi contrariada e a pessoa sentiu-se diminuída em extremo. A incapacidade de amar e a impossibilidade de despejar sua ira sobre o outro, leva a pessoa a reprimir esse ódio até a depressão. A coisa fica pior quando a pessoa é cristã e tem introjetado o sentimento religioso de que a ira e o consequente ódio é pecado. Não sabendo lidar com isso e se negando a buscar ajuda efetiva, a depressão está instalada. Conscientemente ou não, o cristão, muitas vezes, diante desse tipo de situação, passa a ter sentimentos negativos contra sua própria pessoa. A somatização desse sentimento gera depressão. 

Outro sentimento muito comum que leva a depressão é o “negativismo” ou “pensamento negativo”. Até as pessoas mais positivas podem passar por momentos de pensamentos negativos. Isso é normal. O neurótico é quando o “pensamento negativo” passa a ser um vício e, em tudo, a pessoa passa a ver o inalcançável ou “isso não dará certo”. O negativista passa a culpar as circunstâncias, as ações de outras pessoas e, também, a falta de condições e ou recursos. São pessoas – inclusive cristãs e religiosas – que só vêem o lado escuro da vida. Esta passa a ser um pesado fardo. Há uma visão profunda e negativa de si mesmas. Sempre se acham incapazes, indignas e se auto-acusam. Normalmente são pessoas manipuladoras dos outros, porque são carentes na busca da piedade alheia. Enquanto tais pessoas não forem levadas a indentificar a origem desse pessimismo, descobrindo seus efeitos e interpretá-los sob correta ajuda profissional; não vai ter condições de focar tais sentimentos em algo mais útil e  transformá-los em algo positivo.

Acima, à grosso modo, estão algumas causas que originam a depressão. Os itens são simplistas... mas, reais e verdadeiros. Não se quis, propositalmente, usar tecnicismos. É pra que, a maior parte das pessoas, possa entender, identificar e procurar ajuda. Depressão tem se tornado algo comum. Existem vários tipos e que podem tomar rumos diferentes. Na verdade os sinais e os sintomas são bastante variáveis em número, gravidade e persistência. Todavia, quase sempre, são bem semelhantes. A percepção da depressão passa, obrigatoriamente, pela existência de diferentes formas com que as pessoas experimentam e expressam os sintomas da depressão. Também, há que se levar em conta a idade, a cultura e, até, o sexo da pessoa. Por isso, é imprescindível a busca por profissionais capacitados e, também, da mais absoluta confiança do depressivo e ou da família. 

Finalizando este artigo, segue uma lista de sintomas a serem observados, principalmente pela família e amigos, para que o candidato a depressivo seja ajudado com a prevenção. Ei-los: tristeza profunda, sentimento de vazio, aborrecimento contumaz, irritabilidade prolongada, sensação de insegurança e medos infundados, preocupação exagerada com tudo, diminuição da energia com fadiga e lentidão física, perda de interesse e prazer nas atividades diárias de que gostava, diminuição de apetite e sono, perda gradativa do desejo sexual, variações significativas do peso corporal, pessimismo exagerado, sentimentos de culpa, auto-desvalorização delirante, alterações evidentes do poder de concentração, aumento da lentidão do raciocínio, ideias súbitas sobre desejo de morrer e outros. 

Talvez a pergunta que se faça agora seja: como ajudar alguém que esteja depressivo? Bem, esse será o foco do próximo artigo. Até lá.



CARNAVAL 2020! O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA!

Neste artigo vou ser mais intimista. Vou usar o pronome na primeira pessoa. Normalmente não falo ou escrevo sobre aquilo que não sei, ...