quinta-feira, 19 de setembro de 2019

OS ATRIBUTOS DE DEUS (Série Doutrinas IV - Parte II)



Na parte I desta série viu-se que os atributos de Deus são constituídos de todas as características que são distintas e próprias da natureza divina. Atributos são qualidades ou poderes fundamentais do SER (Essência) DE DEUS que, racionalmente, são atribuidos a Ele. Nesta parte II, a tentativa é de estudar os ATRIBUTOS ABSOLUTOS ou INCOMUNICÁVEIS DE DEUS. Antes, porém, para fins didáticos apenas, ver-se-á ligeiramente que Deus é Espírito e Pessoa. 

DEUS: Ele é Espírito. 


Em João 4:24 o Senhor Jesus afirma que “Deus é Espírito”. O substantivo “Espírito” é descritivo da natureza de Deus. Isso implica, necessariamente, que Deus não é matéria. Espírito é imaterial, invisível, indestrutível. Deus independe de qualquer tipo de matéria. Por conseguinte, Deus não depende do universo material que criou. Será sempre Deus, independente de qualquer materialidade criada. Por isso, Deus e matéria não precisam de qualquer conexão para que Ele continue sendo quem é. Como afirmado na parte I (artigo anterior), o ponto convergente do Deus que é intangível (Espírito) com o Deus tangível (que tem matéria) só pode ser encontrado na autorrevelação, com a encarnação de Jesus Cristo, o Filho. Jesus disse em Lucas 24:39: “... um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho”. Deus, na sua transcendência, com seus atributos, veio até sua criatura (eu e você), oportunizando redenção, salvação... VIDA!

A Bíblia afirma que Deus é (Espírito, Luz, Amor, Vida, Verdade...). Ele não é um espírito, um amor, uma luz ou uma verdade. Sem espírito, não há vida. Isso significa que “espírito” é essencial à vida e, em consequência, essencial ao amor. Por ser “espírito”, Deus não pode ser apreendido sob qualquer hipótese ou recurso físico. Quando a Bíblia atribui a Deus alguma forma humana (mãos, olhos, pés, ouvido e outros) é, apenas, linguagem simbólica ou antropomórfica... para que o ser humano, na sua limitação, pudesse entender. 

Não se pode negar que, por diversas vezes, Deus fala, anda e aparece a patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e outros). Sem dúvida, tais passagens bíblicas referem-se às manifestações temporais de Deus, com finalidades específicas. Essas manifestações do SER de DEUS em forma humana prefiguravam a autorrevelação de Deus, com a encarnação de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Da mesma forma, para que a finitude da mente humana pudesse entender, os autores bíblicos, inspirados pelo próprio Deus, usam declarações representativas materializando Deus, tais como: “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que espécie de casa vocês me edificarão? É este o meu lugar de descanso? Não foram as minhas mãos que fizeram todas essas coisas, e por isso vieram a existir?”, pergunta o Senhor. (...). (Isaías 66:1-2 NVI). Salomão, quando da dedicação do templo em Jerusalém, assim se expressou: “... Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te...” (I Reis 8:27 NVI). Jesus, o Deus tabernaculado em forma humana (Filipenses 2), fecha a questão ao afirmar: “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24 NVI). 

DEUS: Ele é Pessoa

Quando se fala sobre “pessoa”, fala-se da relação humana entre as pessoas humanas e, também, da relação da criatura humana com o criador Deus. Só se é pessoa humana porque, primeiro o é em relação a Deus. Deus é pessoa e personalizante. Falar de pessoa é falar da inter-relação entre criatura e criador. 

Há que se entender, filosoficamente, que o termo “pessoa” quando aplicado a Deus e a sua criatura humana é analógico, ou seja, “pessoa” faz referência, ao mesmo tempo, a semelhança e diferença entre ambos. Por quê? Há a semelhança porque o homem foi feito à “imagem e semelhança” do criador. Há, também, uma abismal diferença. Ele é espírito (João 4:24) pessoal (intangível) e, como tal, é transcendente. Por isso, é impossível ter-se uma representação do SER de Deus. Apesar disso, Ele entra em contato com sua criatura com (Salmo 103:3-14).
 
O próprio Deus inspirou pessoas (os autores bíblicos) a descreverem-no como um ser pessoal. Ele criou o ser humano à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:27) porque queria que sua criatura principal entrasse em contato pessoal com Ele. Deus se alegra, se entristece, ama, tem ciúmes... e entra em contato com sua criatura. Deus colocou no ser humano capacidade moral e racional (as outras criaturas não têm).  E essas capacidades são reflexos da razão e moralidade de Deus. Por isso, também, é possível conhecê-Lo até onde Ele o permite. Por isso, é impossível compreendê-Lo na sua totalidade. Exatamente porque Ele é infinitamente maior e mais complexo que sua criatura.

Quando, humanamente falando, diz-se que Deus é pessoa, está se dizendo que Ele tem personalidade. Entretanto, Ele é uma pessoa “espírito”; invisível, intangível. Foi Ele que criou os céus e a terra, bem como todas as coisas visíveis e invisíveis (Gênesis 1; Salmo 24:1-2; Salmo 90:2; Atos 17:24-28; Romanos 1:20-21; Colossenses 1:15-17). No salmo 90 encontramos que Deus não foi criado, nem teve princípio (vs. 2). 

Na sua transcendência, a pessoa de Deus entra em contato com as pessoas as quais ele criou. Por isso, a Bíblia o traz como um Deus pessoal. Todavia, na sua transcendência a sua pessoalidade, obrigatoriamente, se traduz no poder de sua autoconsciência e autodeterminação. Não há intenção, neste artigo, de tratar da autoconsciência e autodeterminação do SER de DEUS. 

OS ATRIBUTOS ABSOLUTOS OU INCOMUNICÁVEIS. 

Tal nomenclatura é limitada e humana. É apenas para fins didáticos e teológicos... porque Deus é infinitamente maior que qualquer definição. A questão é simples: inexiste atributo divino que seja totalmente transmissível e ou atributo que seja totalmente incomunicável. Há divergências profundas entre os estudiosos no assunto. Aqui vai a maneira de encarar o assunto deste articulista e estudioso da Bíblia. Sobre os “comunicáveis”, leia em artigos próximos.

Este autor prefere a assertiva que diz que os atributos “incomunicáveis” são aqueles que Deus partilha bem menos que os “comunicáveis”. Por exemplo, um dos “atributos incomunicáveis” de Deus é a eternalidade (Deus é eterno). Isto é a mais absoluta verdade. Ele não teve princípio e não terá fim. Ele não está sujeito a limitação do tempo como o ser humano está. Aliás, a Bíblia no Novo Testamento, usa a palavra Khronós (tempo para o homem) e Kairós (tempo para Deus). Khronós é o tempo mensurado, medido, limitado. Kairós é o tempo sem limite ou mensuração. É a eternidade. Portanto, o homem está sujeito a limitação do tempo. Todavia, de alguma forma, o homem reflete algo dessa eternalidade ao aceitá-lo como Senhor e Salvador, indo morar com Ele na eternidade. Da mesma forma, os que o rejeitarem terão sua eternalidade longe dEle, em atroz sofrimento. O mesmo poderia dizer da imutabilidade.

Isso posto, seguindo a linha geral de raciocino dos grandes mestres da teologia, foca-se naquilo que é denominado de “atributos incomunicáveis” de Deus. Não há qualquer pretensão de esgotar o assunto... até porque isso seria totalmente impossível. 

  1. AUTO-EXISTÊNCIA OU INDEPENDÊNCIA DE DEUS
Definitivamente, Deus não precisa de nada e nem de qualquer pessoa. Ele é independente, auto-existente e autossuficiente. A declaração bíblica de que Deus é o criador de tudo implica, necessariamente, que Ele não é criado. E a diferença peculiar é gritante e crucial. O que foi criado depende e pertence ao criador. O criado tem a marca do criador. O criador é supremo e dono da criação. Por isso, a criatura jamais pode ser adorada, exaltada ou glorificada. Pense: é possível a qualquer coisa criar-se a si mesma? Talvez, o que se segue, faça total confusão na mente de muitos; todavia, é nisso que creio. A Bíblia começa assim: “No princípio Deus criou...”. Criou o quê? “os céus e a terra”. Talvez uma versão melhor seja: “Quando Deus começou a criar os céus e a terra, sendo a terra sem forma e vazia...” (Gn. 1:1-2ª). Ele não deu qualquer explicação, nem fez sua autobiografia para comprovar sua capacidade e poder. Simplesmente afirmou seu poder de criar. Poderia ser dito assim: Eu criei os céus e a terra... acredite se quiser. 

Em termos racionais e ou filosóficos é possível alguma coisa criar a si mesma? Absolutamente não. Na essência filosófica do termo, o conceito de autocriação é contraditório por si só. Nada pode ser autocriado. Todavia, Deus é e está acima de qualquer conceito filosófico humano.  Não fique chocado... antes, reflita com este servo do Altíssimo. Deus é Deus... creio nisso de forma absoluta. O adoro e o sirvo com tudo que sou e tenho. Mas, não há como não refletir sobre alguns conceitos. Deus não pode fazer-se a si mesmo. Se Ele pudesse criar a Si mesmo, Ele seria e não seria ao mesmo tempo. Todo efeito precisa, necessariamente, de uma causa. Todavia, Deus não tem efeito. Ora, Ele não tem começo (é eterno) e, portanto, não tem causa antecedente. Ele foi o que Ele é... desde sempre. Ele não depende de qualquer teologia, filosofia ou causa para existir. Ele não depende de qualquer fonte para existir ou continuar a existir.  Auto-existência é isso. Isso é uma questão de fé... mas, também, de observação das atividades poderosas de Deus, no universo criado e nas criaturas feitas à Sua imagem e semelhança. 

Os humanos somos criaturas e, portanto, limitados. Tudo que o ser humano possui como referência é dependente e criado. Por isso, não há como compreender, inteiramente, pela razão filosófica, alguma coisa que seja auto-existente. Mas, Deus é. Por definição, uma criatura jamais será auto-existente. Deus não é auto-criado... mas, é auto-existente! Acredite... se quiser. E, exatamente nisso, repousa a diferença essencial entre Deus e Sua criação. Sua auto-existência é aquilo que o torna a fonte original de toda a criação do universo: terra, água, fogo, animais, árvores, vegetais, humanos, astros, estrelas e tudo mais. 

Por mais paradoxal que possa parecer o conceito de auto-existência é válida, racionalmente. Pode parecer irracional... mas, não o é. Filosófica e racionalmente, se alguma coisa é; essa alguma coisa deve ter, necessariamente, dentro de si, o poder de ser. Só quando alguma coisa exista em si mesma, ela pode existir. Porque todas as coisas que são e existem, são dependentes de algo ou alguém maior e com poder soberano sobre tudo. Todos os seres vivos (arvores, animais, humanos, vegetais, etc.) podem se reproduzir; ou seja, possuem vida em si mesmos. Todavia, ninguém é eterno ou auto-existente. Há uma dependência natural de um ser superior e soberano que a tudo criou. Este é Deus o auto-existente. 

Talvez alguém pergunte: Existe a possibilidade de haver algo antes do nada, como é o caso de Deus? A resposta necessária é: Deus existe eternamente em Si mesmo; por isso, é a eterna fonte criadora de tudo e de todos. Só Ele tem, e ninguém mais, o poder de ser. Paulo captou isso, pela fé racional, como ninguém ao afirmar: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns poetas de vocês: também somos descendência dele” (Atos 17:28 NVI). No mesmo capítulo de Atos (vs. 24-25) Paulo afirma: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego, e as demais coisas (NVI)”.  A partir de Jó 38, Deus questiona seu servo e dá amarração final à sua soberania. No capítulo 41:11 diz: “Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertence” (NVI).

Pode parecer absurdo à mente humana limitada... mas, Deus existe em virtude de sua natureza. Ele nunca foi criado e, também, nunca chegou a existir. Simplesmente... Ele sempre foi. Sem delongar, cito alguns textos para exemplificar: Êxodo 3:14; Salmo 90:2; João 1:3; Romanos 11:35-36; I Coríntios 8:6; Apocalipse 4:11. No conjunto, esses textos afirmam que: a) todas as coisas foram criadas pela vontade dEle; b) Ele existia antes de qualquer criação; c) a existência e caráter de Deus é auto determinada e independente de qualquer pessoa ou coisa (Eu sou o que sou). Isso significa que, sem a sua criação, Deus seria e é sempre Deus com todos seus atributos.
Necessariamente, Deus é qualitativamente diferente da sua criação. Qualquer imperfeição que se possa notar na criatura criada ou natureza criada é fruto do pecado. Deus não peca jamais. Por isso, qualquer limitação na criação ou criaturas, distorce o conceito de eternidade e auto-existência de Deus. Tudo irá desaparecer um dia. Deus sempre existiu e existirá eternamente. 

  1. A IMUTABILIDADE DE DEUS
Imutabilidade é a qualidade daquilo que é imutável, ou seja, é a qualidade, estado ou condição daquilo que não se pode mudar jamais. Assim é Deus em um de seus atributos incomunicáveis ao ser humano. A natureza de Deus, sua perfeição, seus propósitos, suas promessas, seus atributos e vontade são imutáveis, ou seja, jamais mudam. Por que ele mudaria? Toda mudança, necessariamente, tem que ser para melhor, ou para pior. Mas, como algo ou alguém que é perfeição em grau absoluto poderia mudar? Impossível. Inexiste causa interior, exterior ou no próprio ser de Deus para que haja mudança. A Bíblia faz algumas afirmações definitivas sobre isso: Salmo 102: 27 + Malaquias 3:6 + Tiago 1:17.  Entretanto, biblicamente, movido pelo seu amor, Deus age e sente emoções de forma diferenciada em resposta a situações diferenciadas. O Salmo 102:25-27 é emblemático: “No princípio firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim” (NVI). O texto é claro em dizer que o universo mudará. Que Deus fará as mudanças necessárias e segundo o seu querer e vontade... mas, Ele continuará sempre o mesmo. O Salmo 33:11 e Isaías 46:9-11 confirmam a imutabilidade de Deus. 

Todavia, um estudante da Bíblia perguntaria: Há passagens que parecem atribuir algum tipo de mudança em Deus. Isso é verdade, todavia, precisam ser explicadas à luz da própria Bíblia, ou seja:

a)      Como método próprio de Deus para ilustrar seu amor e compaixão com suas criaturas.

Não se pode confundir imutabilidade com mesmice. Imutabilidade é a impossibilidade de qualquer desvio daquilo que está proposto e manifesto. E aquilo que Deus propôs sempre é infinitamente melhor. Ao mesmo tempo que é imutável, Deus é, ao mesmo tempo, infinitamente flexível, pois é, também, AMOR. Sua decisão final sempre será a mesma, todavia, durante a caminhada da sua criatura, por amor, o Deus imutável oferece alternativas e condições para que sua criatura mude para melhor e alcance a salvação. Isso acontecendo, Deus na sua imutabilidade atinge o que propôs: a salvação do ser humano. Isso não acontecendo, também Deus, na sua imutabilidade atinge o que prometeu: a condenação da sua criatura. 

b)     Como linguagem antropomórfica dos atributos incomunicáveis, face às circunstâncias e variações morais das suas criaturas.

Um dos textos mais citados para defender a mutabilidade de Deus é Gênesis 6:6 (e correlatos): “Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração” (NVI). Uma das regras básicas de hermenêutica é interpretar a Bíblia com a própria Bíblia. Outra regra é interpretar textos obscuros à luz de textos mais claros e de ensino geral das Escrituras. Em Números 23:19 lê-se: “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?” (NVI).  O mesmo pode ser observado em I Samuel 15:11 e 29. Parece paradoxal. Os “arrependimentos” são linguagens antropomórficas que o próprio texto deslinda. Ora, se a santidade de Deus é imutável (e é), essa santidade exige que o ímpio e o justo sejam tratados de forma diferenciada. Da mesma forma, se uma pessoa justa “virar a cabeça” e se tornar um ímpio; a atitude da santidade de Deus mudará, também, em relação a essa pessoa. Não é Deus que muda, pois a sua santidade não tolera a impiedade. A mudança está na criatura, jamais no criador. Na sua imutabilidade santa, Deus age santamente de acordo com a mudança operada na vida interior de cada pessoa.  Portanto, a linguagem da “mudança de Deus” na Bíblia é, meramente, antropomórfica. 

Experimente andar a favor e contra o vento. Aparentemente é o vento que muda. Todavia, sem dúvida, é o andante que muda. O vento continuará soprando na mesma direção. O ser humano tem uma escolha: andar a favor ou contra a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus. Deus é o mesmo e agirá de acordo com o andar de cada um. Isso fica claro em Filipenses 2:12-13: “.... ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (NVI). Aparentemente Deus muda... mas, na verdade é o ser humano que muda. Deus jamais, pois é imutável. 

c)      Como descrição da mobilidade divina no tempo e nos seus propósitos.

Deus, desde sempre, teve seus propósitos imutáveis. Na consecução desses propósitos há mobilidade, flexibilidade; que não pode ser confundida com imutabilidade. Se Ele não tivesse mobilidade de mente, sua vontade soberana seria negada. A Bíblia informa que o plano de salvação do ser humano estava na mente de Deus desde a criação do mundo (Apocalipse 13:8). Deus formou para si um povo, de onde viria o Salvador. Na sua imutável sabedoria, Deus sabia que o ser humano precisaria passar por um processo laborativo e difícil até que entendesse a graça e misericórdia divinas. Portanto, ao abolir as leis mosaicas e todo seu ritualismo, não estava havendo mudança no plano de Deus. Aliás, era a execução perfeita do seu plano. A encarnação de Cristo e sua obra salvífica não aconteceram para corrigir as falhas legais do Velho Testamento. Tudo estava na mente e coração de Deus, desde sempre. Isso só mostra um planejamento perfeito de uma mente perfeita, com propósitos perfeitos e execução perfeita. 

Claramente Paulo afirma que Jesus veio na “plenitude dos tempos” (Gálatas 4:4) em cumprimento taxativo dos desígnios de Deus (Atos 2:22-23). Por isso, diante do plano eterno de Deus para o homem, sua imutabilidade exigiu mobilidade ao longo da história para seus planos fossem fielmente cumpridos. O homem muda, Deus não. Deus se move imutavelmente por amor ao ser que criou. Veja a história do profeta Jonas e seu ministério junto aos ninivitas. Ilustra exatamente a mobilidade de Deus em favor do ser humano que se arrepende e, com isso, sua imutabilidade é asseverada.  A Deus toda honra e glória.
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No próximo artigo outros atributos “incomunicáveis” de Deus serão estudados. Leia e divulgue. Que Deus te abençoe poderosamente. Amém.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

OS ATRIBUTOS DE DEUS (Série Doutrinas IV - Parte I)


Este escrito (e os próximos) é, apenas, uma humana tentativa de colocar em linguagem humana, algo que é absolutamente impossível de se fazer: definir Deus. Os próprios autores bíblicos, divinamente inspirados, usaram, muitas vezes, linguagem antropomórfica para falar de Deus. Portanto, com temor e tremor; prostrado diante do meu Deus e do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, tento ajudar a mim mesmo - e aos leitores – na compreensão de Deus; se isto for possível.

Estudar os atributos de Deus é estudar seu caráter, seu modo de agir. É tentar responder o irrespondível: Quem é Deus? Como Ele é? Normalmente, os teólogos dividem os atributos de Deus em Incomunicáveis (aqueles que só pertencem a Ele e, por isso, não os comunica ou transmite a ninguém mais) e Comunicáveis (aqueles que Ele comunica ou compartilha com outros). Como qualquer outra tentativa de definição de Deus, por si só, é incompleta e imperfeita. Todavia, tal classificação é útil e necessária para o limitado entendimento humano. 

Os atributos comunicáveis de Deus recebem dos estudiosos, subdivisões; numa tentativa de melhor compreensão do ser de Deus: atributos da pessoa de Deus, atributos mentais, atributos morais, atributos de propósito e atributos sumários (aqueles que, de forma particular, modifica cada um dos outros). Deus não é, apenas e tão somente, a soma dos seus atributos. Por quê? Porque esses atributos não podem ser separáveis um do outro... mas, cada um qualifica e ou modifica cada um dos outros.

Particularmente, neste estudo, não vai se seguir as divisões acima. A tentativa é de ser o mais simples possível... visando um entendimento mais racional (se é que isso seja possível) sobre Deus. Particularmente, pela fé, creio em Deus como criador, mantenedor, sustentador de tudo e de todos. Creio em um Deus triuno, juntamente com o filho Jesus Cristo (Salvador e Senhor) e o Espírito Santo. 

DEFININDO O TERMO ATRIBUTO. 

Na prática, os termos essência, substância, natureza e ser... podem ser considerados sinônimas. Da mesma forma o são os termos qualidade, característica, princípio ou atributos (além de outros). Assim, atributo e substância são correlatos... mas, não a mesma coisa. Um não existe sem o outro... assim como não existe qualquer qualidade que não dê qualificação a alguma coisa. Humana e filosoficamente falando, a aplicação das categorias substância e atributo de Deus, produz-se a necessidade de um pensamento racional para pensar em Deus... se é que exista a possibilidade de racionalização, sem a fé.  Havendo algum conhecimento de Deus (a autorrevelação bíblica dEle), há como se passar de Suas palavras e atos para Suas qualidades ou atributos. Com isso, pode-se chegar a substância ou essência a que tais atributos pertencem.

Isso posto, pode-se afirmar que, os atributos de Deus são constituídos de todas as características que são distintas e próprias da natureza divina. Ela é inseparável da idéia de Deus e é a base de toda manifestação ou autorrevelação dEle às suas criaturas. Talvez alguém pergunte: por quê atributos? Simples: são qualidades ou poderes fundamentais do SER (Essência) DE DEUS que, racionalmente, são atribuídos a Ele. 

ATRIBUTOS E ESSÊNCIA DE DEUS: A relação. 

Há que se entender que essência e atributos não são, apenas, frutos da finitude da mente humana. São qualidades objetivas e distintas de Deus na medida de sua autorrevelação, conforme concebida pela Sua Palavra, a Bíblia. Esta declara, enfaticamente, que se pode conhecer a Deus pela Sua manifestação por meio da natureza (Salmo 19), por exemplo. A essência de Deus não pode negar os atributos dEle. Negar que a ESSÊNCIA possua ATRIBUTOS (qualidades) inerentes cheira a panteísmo. Não há como se negar, bíblica e filosoficamente, que  santidade, eternalidade, onisciência, onipresença e outros... sejam qualidades (ATRIBUTOS) da ESSÊNCIA (O SER DE DEUS). Quando alguém diz que “Deus é tudo”, está dizendo que não conhece, de fato, a Deus.  A Bíblia deixa claro algumas qualidades/atributos de Deus. Sem exegese ou explicações maiores, abaixo vão alguns simples exemplos:

Jeremias 10:10: Ele é o Deus verdadeiro e o Deus vivo (NVI). Jeremias 9:23-24: Ele diz que é leal, justo e reto e, por isso, todos deveriam gloriar-se em conhecê-Lo (NVI). João 3:16: Ele é um Deus que ama. Salmo 85:10-11: Nele, o amor e a fidelidade se encontrarão, a justiça e a paz se beijarão (NVI). João 5:26: Ele e Filho têm vida em si mesmo (NVI). Então, Deus não é apenas um SER (Essência), mas uma Essência (SER) que possui em si mesmo qualidades (ATRIBUTOS). Alguns deles, no seu eterno amor, compartilhou com suas criaturas. Simplificando: Os atributos de Deus são autorrevelações dEle às suas criaturas e foram assentados definitivamente na sua ESSÊNCIA, para que pudesse ser conhecido. Portanto, Essência e Atributos de Deus estão diretamente relacionados. 

ATRIBUTOS E ESSÊNCIA DE DEUS: A unidade. 

Diretamente relacionados, porém, não separados. Atributos/qualidades fazem parte da Essência/o Ser.  Em outras palavras: O SER DEUS (a Essência), tem em si mesmo, de forma inseparável e eterna, qualidades/atributos. É uma unidade total. Os atributos são constitutivos da essência de Deus. Os atributos pertencem à Essência e são base da sua unidade. Portanto, Deus não é um composto de atributos. Ele é a ESSÊNCIA e todos os ATRIBUTOS são inerentes, eternos, indissociáveis dessa ESSÊNCIA, compondo uma UNIDADE.  Deus independe de qualquer outra coisa como a criação, governo, universo, domínio e outros. Nada disso é necessário para que Ele seja Deus. Deus sempre será Deus, independente de qualquer criação sua ou governo sobre elas. Então, se não houvesse criação... Deus seria Deus? Sim, com certeza... mesmo que Ele nunca tivesse criado o universo e ou suas criaturas. 

ATRIBUTOS E ESSÊNCIA DE DEUS: O conhecimento dEle. 

Sendo Deus a Essência e Seus Atributos a expressão do conhecimento da Unidade, há que se afirmar que os ATRIBUTOS é que manifestam a ESSÊNCIA. Em outras palavras, só há possibilidade humana de se conhecer a Deus (a ESSÊNCIA) pela autorrevelação de seus ATRIBUTOS. Sem que Ele tivesse revelado à sua criação seus atributos, Deus seria incognoscível. Quando a criação humana experimenta e conhece os ATRIBUTOS, passa a conhecer a ESSÊNCIA, na medida da limitada capacidade humana. Isso significa que esse conhecimento sempre será parcial e limitado, entretanto, não impede conhecer a natureza de Deus, na medida de Sua Autorrevelação. Fica claro que as revelações divinas sempre serão as de SI MESMO... por meio de seus atributos.  Ninguém pode ver ou conhecer a Deus, a não ser por meio das autorrevelações dos seus atributos. Veja Mateus 11:27: “.... ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar”.  Ainda João 1:18: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido (NVI)”. 

ATRIBUTOS E ESSÊNCIA DE DEUS: A classificação. 

Normalmente, os teólogos modernos classificam os ATRIBUTOS de Deus como “comunicáveis” e “incomunicáveis”; significando que os comunicáveis Ele, na sua bondade, compartilhou com suas criaturas e; os “incomunicáveis”, Ele não compartilha com ninguém, sendo exclusividade da sua Essência. Outros classificam os ATRIBUTOS DE DEUS como Absolutos e Relativos ou, ainda, Imanentes e Transitivos. Pouco importa porque, ao final, dizem a mesma coisa. As subdivisões dessas duas classificações é que são bem diferentes, dependendo da corrente teológica. 

Assim, os ATRIBUTOS DE DEUS que são “incomunicáveis” ou “Absolutos” ou “Imanentes” são aqueles que dizem respeito ao Ser de Deus e envolvem a Ele mesmo e são pertencentes à sua própria natureza. Portanto, são, por si sós, intangíveis e independem daquilo que foi criado por Ele. São os atributos que só Ele possui... de forma absoluta e total. 

Os ATRIBUTOS DE DEUS que são “comunicáveis” ou “relativos” ou “transitivos” são aqueles que, de alguma forma, Ele compartilha com suas criaturas e se referem à revelação exterior que faz de si mesmo, nas relações com toda a sua criação. Daí, toda criação – universo e seres criados – são dependentes totalmente dEle.  

Essa classificação clássica (Incomunicáveis; ou Absolutos; ou Imanentes X comunicáveis; ou “relativos”; ou “transitivos”) objetiva dar mais clareza ao que é chamado de autossuficiência de Deus. Deus (Essência) é autossuficiente; os atributos são revelações de si mesmo. Entretanto, Ele sempre existiu soberanamente antes que tivesse feito o universo e ou suas criaturas. Em Colossenses 1:19 discorrendo sobre a supremacia de Cristo, o Filho. Paulo diz: “Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude (NVI)”. Por isso, “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste (Cl. 2:15-17 NVI)”.

Isso significa que a criação de tudo e de todos é obra do amor de Deus. Ele sempre existiu, mesmo antes de sua criação e ou encarnação em Cristo. Ao criar, a ESSÊNCIA mostrou seus ATRIBUTOS. Alguns reservou apenas para si, outros... os comunicou às suas criaturas. É inimaginável ao ser humano, o tamanho do poder de Deus. O universo por inteiro é apenas um cisco diante do seu poder, aliás, Ele poderia tê-lo feito muito maior... infinitamente maior. A natureza inteira, todas as suas criaturas e tudo mais que a mente humana pensar... são, apenas, uma gota diante do SER DE DEUS. 

Quando Ele compartilhou um pouco do que é com suas criaturas (atributos comunicáveis, ou relativos; ou transitivos), foi para mostrar e demonstrar o quanto toda a natureza e, também, suas criaturas são dependentes do amor, da graça, da misericórdia dEle. Isso é cabalmente demonstrado quando o Filho, que é Deus encarnado e tem toda supremacia sobre tudo e todos (Colossenses 2), fez-se humano e humilhou-se até a morte de cruz (Filipenses 2:6-11). Davi entendeu isso perfeitamente ao exclamar: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem para que com ele te importes? E o filho do homem para que com ele te preocupes? (Salmo 8:3-4 NVI)”. No mesmo tom vai o Salmo 113:4-9.  Em uma das sequências desta série de estudos sobre os Atributos de Deus, ver-se-á mais profundamente sobre o Salmo 8 e todo o universo criado pelo Deus Transcendente que, também, é Imanente. 

O anelo por um Deus que seja Intangível e, também, tangível; encontrou seu ponto alto e convergente na encarnação de Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Deus toda honra e glória! Na sua transcendência, com seus atributos, veio até sua criatura (eu e você), oportunizando redenção, salvação... VIDA! Amém.
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