segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

DEUS! SARA NOSSA TERRA (O Avivamento que a IGREJA Precisa) (Parte 2)


O cristão que estuda a Bíblia sabe que há uma infinidade de textos que sustenta a necessidade de um permanente avivamento, para que a IGREJA seja “segundo o coração de Deus”. A finalidade do avivamento é produzir DISCÍPULOS e não MEMBROS de igreja. O verdadeiro discípulo faz novos discípulos. Ele sabe que sua missão é povoar o céu. Igreja que não produz novos discípulos, em quantidade e qualidade, perde sua finalidade e torna-se um mero clube onde as pessoas se reúnem socialmente pensando, erradamente, que estão servindo a Deus e fazendo a Sua vontade. Ledo engano. Essa é a razão principal pela qual a maior parte das igrejas hodiernas está chafurdando e inventando um evangelho anacrônico e dissociado da verdade bíblica.

Entretanto, para a finalidade deste texto, será usada uma porção bíblica que, aparentemente, nada tem a ver com avivamento. Só aparentemente. Essa porção remete a uma profunda necessidade de reforma espiritual pessoal e, consequentemente, da igreja e da nação. O cristão é a base da família. Esta é a base da igreja, da sociedade e da nação. O texto é II Crônicas 7:14 e diz: “... se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (NVI). Observe as palavras sublinhas de propósito. Todas são verbos. Uma boa exegese exige sempre uma atenção aos verbos de qualquer texto. Verbo SEMPRE indica ação. Classe de palavras que, do ponto de vista semântico, contêm as noções de ação, processo ou estado e, do ponto de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado de qualquer sentença/frase. Portanto, é fundamental uma análise desses verbos.

O Comentário Bíblico Moody, volume 2, à página 243 (São Paulo, IBR, 1985), faz a seguinte afirmação sobre o texto: “Este grande versículo (...), expressa mais do que qualquer outra passagem das Escrituras, as exigências divinas para uma bênção nacional (...). Aqueles que crêem devem abandonar seus pecados, abandonar a vida que se centraliza no ego e submeter-se à Palavra e vontade de Deus. Então, e somente então, os céus enviarão o reavivamento" (grifo meu).

Claramente Deus expressa Sua vontade de ir ao encontro das necessidades do povo. Há uma simples, direta e inequívoca promessa dEle: bênção, alívio ao sofrimento, proteção e sustentação diante de todas as crises contra os inimigos... porém, o verso começa com um “se”. Na língua nativa o “se” pode ter função de pronome pessoal e, também, de conjunção. No texto em apreço é uma conjunção que expressa subordinação à ação principal; portanto, é condicionante. Em outras palavras, as bênçãos ficam condicionadas a algumas exigências de quem faz as promessas (Deus). Ele jamais promete em vão, jamais falha, jamais decepciona seus filhos. Apenas alguns textos só em Crônicas para exemplificar (II Crônicas 12:6-7; II Crônicas 14:8-15; II Crônicas 18:31).

A IGREJA de Jesus Cristo que, verdadeiramente, quer fazer discípulos e povoar os céus, precisa entender que isso só poderá acontecer quando houver um verdadeiro avivamento dos seus membros.  Quando o “povoar os céus” for o objetivo maior de toda a igreja. Culto, louvor, música, adoração, comunhão, sociabilidade, teatro, esportes e tudo mais que a igreja programar, perde todo o sentido bíblico se não visar “povoar o céu”. A ordem de Jesus aos seus discípulos quando ascendia aos céus foi taxativa: “... Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei...” (Mateus 28:18-20). Veja a clareza de Jesus: 1. Ele tem toda a autoridade no céu e na terra; 2. Por isso, Ele pode dar ordem e a dá; 3. Ordena que seus discípulos saiam e façam novos discípulos; 4. E, também que, após fazerem discípulos, os batizem; 5. Mas, isso não basta. É preciso que os novos discípulos sejam ensinados a serem obedientes (veja Lucas 6:46). Enquanto cada discípulo (discípulo e membro de igreja são coisas absolutamente diferentes) não entender que a missão principal é fazer discípulo, a igreja não estará pronta para o agir de Deus. Não há avivamento sem santificação, sem vida purificada, sem obediência irrestrita às ordens do Senhor. Daí, a necessidade da análise do texto bíblico escolhido para fundamentar a intenção do assunto “avivamento da igreja”.

O contexto de Crônicas é o do tempo dos Reis de Israel. A ênfase mais importante daquela nação não foi de cunho político, econômico ou social... mas, foi o espiritual. A sua história foi formada e embasada pela ausência ou presença da resposta que a nação deu a Deus. O autor de Crônicos, como historiador, visa perscrutar o passado para encontrar resposta que pudesse fazer de Israel uma nação santa e que fizesse diferença entre os povos. Ele queria tão somente vislumbrar os propósitos de Deus e encontrar o verdadeiro sentido da existência da nação. O verso em apreço, por si só, traduz tudo que é necessário para que o povo se libertasse do seu passado e obtivesse sucesso como nação pertencente a Deus.  Hoje, o povo de Deus é a IGREJA. Portanto, da mesma forma, o texto de II Crônicas 7:14, resume divinamente tudo aquilo que a IGREJA precisa para promover um verdadeiro avivamento e tornar a nação santa e abençoada por Deus, afinal “Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que Ele escolheu para lhe pertencer” (Salmo 33:12 NVI).

  • SE O MEU POVO, QUE SE CHAMA MEU NOME... Deus ama Seu povo. Quem é Seu povo? João 1:12 diz: “contudo, aos que O receberam, aos que creram em Seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (NVI).

O apóstolo Pedro afirma quem é o povo de Deus, após Israel rejeitar a Jesus Cristo como Deus: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus (grifo meu), para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pedro 2:9). No Novo Testamento, a IGREJA é o povo de Deus. São para igreja as condições para o avivamento. Aqui há uma condição, “se” e um profundo e inenarrável amor. Amor que, mesmo sendo os seus filhos um tanto rebeldes e pecadores, Ele dá oportunidade desse povo se reconciliar. Isso é demonstração de amor profundo. Esse não é um povo qualquer. É a igreja. É o povo que o chama de Deus criador, sustentador e mantenedor; que o chama de Todo Poderoso e Senhor dos Senhores; para quem Ele é o Rei dos Reis. É a esse povo que Deus está falando. E esse povo é a Sua igreja, por quem morreu e ressuscitou. É a esse povo que Deus quer dar um profundo avivamento para que a nação se volte para Deus e receba as bênçãos prometidas.

  • SE HUMILHAR...  O sentido do verbo usado aqui é o bitransitivo e pronominal, ou seja, é quando alguém, algo ou a própria pessoa se torna sujeita a outrem; é submeter-se ou sujeitar-se voluntariamente a outrem.

O texto clássico da Bíblia sobre o que é ser humilde é o de Filipenses 2:3-8. O outro é sempre melhor e mais do que eu, independente da minha cultura, formação, fortuna, família, etc. Mas, o texto em destaque é mais específico ainda. Esse ato de humilhar-se é, antes de tudo, o de subserviência ao Senhorio do Criador e Todo Poderoso Deus. Humilhar, no texto, está diretamente relacionado com obedecer a Deus, reconhecer a dependência de Deus, é viver uma vida de total dependência de Deus. Humilhar leva a um estado de humilhação, de quebrantamento, de contrição diante da presença de Deus. “Entristeçam-se, lamentem-se e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará” (Tiago 4:9-10 NVI). Isso implica, necessariamente, em quebrantar-se e chorar diante de Deus, numa confissão de pecados e possa gerar, genuinamente, mudanças profundas no viver cristão.

Sugiro o estudo de João 15:1-5, quando Jesus ensina o que é ser dependente dEle. Humilhar, também é arrepender-se da vida cristã medíocre que se tem levado. É esvaziar-se de si e de tudo que impede o avivamento e encher-se do Espírito. Veja que “humilhar” é verbo. Verbo exige ação. Portanto, de nada adiante dizer que é pecador e que está arrependido se, humildemente, não agir demonstrando a Deus seu estado de humilhação diante dEle. Agir e não falar. Ação é que vai demonstrar o arrependimento e humildade. JAMAIS EXISTIRÁ AVIVAMENTO SEM ARREPENDIMENTO E HUMILDADE DIANTE DE DEUS.

  • E ORAR... A Bíblia sempre é perfeita. Ela foi inspirada pelo Espírito Santo. Primeiro o arrependimento demonstrado pelo estado de humilhação diante de Deus.

Não adianta orar, sem que, antes, não tenha havido arrependimento e humilhação diante da cruz de Cristo. Primeiro se reconhece a prioridade de Deus em TUDO... depois vem a acessibilidade até Deus por meio da oração. Oração de nada adianta sem o primeiro estágio: o humilhar-se em arrependimento diante do Rei dos Reis. Orar é o segundo passo. De nada vale o reconhecimento dos pecados e a humildade... se não houver a busca de Deus pela oração. Não dá pra viver uma vida estéril, sem oração. Os cultos nas igrejas – com boas exceções - são pândegos. Muito show, muita festa, muito cântico, e quase nada de oração. Não se está falando do culto de oração. Na maior parte deles não é culto de oração. É aquela oração de “entrar no teu quarto” e derramar-se diante de Deus. É a igreja que se reúne e ora, ora, ora e ora mais... até aprender a ouvir a voz de Deus. E Deus só trará o avivamento quando isso acontecer no aconchego do quarto de cada cristão e na vida diária da IGREJA como um todo. Os pastores, em grande parte, estão brincando de levar seu povo para um avivamento. O desejo é de postar nas redes sociais o quanto está fazendo e não o quanto Deus está movendo o coração da igreja e povoando os céus. JAMAIS EXISTIRÁ AVIVAMENTO ENQUANTO CADA CRENTE E IGREJA, COMO UM TODO, NÃO SE COLOCAR DE JOELHOS DIANTE DE DEUS.

  • BUSCAR A MINHA FACE... Mais um verbo, aqui é transitivo direto, ou seja, a pessoa deve esforçar-se muito até achar ou descobrir o que procura. No caso... Deus!

É preciso lembrar que toda a perícope começa com “se”, indicando condição para receber as bênçãos prometidas. Então, buscar a face de Deus é outra, ou, mais uma exigência dEle para o avivamento. Buscar... é trazer a presença de Deus para a vida do cristão e da igreja, é buscar o poder absoluto de Deus para a vida pessoal e da igreja (Salmo 105:3-4). Buscar a face de Deus faz parte de um processo. Os dois primeiros processos são: humilhar e orar. Não há como se buscar a face de Deus sem os dois primeiros processos (humilhar e orar). Aqui é o estágio da verdadeira conversão, quando após reconhecimento e confissão dos pecados, há uma busca por Deus, por meio da oração. A figura “buscar a face de Deus” denota, necessariamente, intimidade com Ele. É fazer a Sua vontade de todo coração. De nada adiante dizer que se está buscando a face de Deus... se essa busca não resultar em metanoia, em mudança de mente, em transformação concreta, visível, frutífera.  

Quando se ama profundamente alguém, há uma busca insana para fazer as coisas que possam agradar ao ser amado. Se isso acontece no plano humano material, quê dizer da busca pela face de Deus. Claro que a linguagem é figurada, visto que Deus não tem face e ninguém pode vê-lo. Aqui, é o desejo profundo de que Deus seja real na vida pessoal e da igreja. Há um preço pessoal a ser pago. Há, por parte da igreja, uma série de coisas de que ela precisa abrir mão. A inércia, o comodismo, o modernismo, a falta de profundidade bíblia e teológica e muito mais, precisam ser jogados na “lata do lixo” do cristianismo sem ação. A igreja não tem querido Deus o suficiente. A igreja não tem querido pagar o preço... até que chegue o avivamento. A igreja como instituição divina não pode ver o mover de Deus porque a maioria dos cristãos parou de procurar a face de Deus. As pessoas não insistem e procurar a face de Deus até que seja encontrada. Será que há texto mais claro quando Deus disse ao seu povo, por intermédio de Jeremias: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração (vs. 13 NVI). O desejo de dar um avivamento santo está lá com Deus. Só será dado à igreja quando esta, verdadeiramente, buscar o que só Ele pode dar. JAMAIS EXISTIRÁ AVIVAMENTO ENQUANTO CRISTÃOS E IGREJA NÃO BUSCAREM, PROSTRADOS, A FACE DE DEUS.

  • E SE AFASTAR DOS SEUS MAUS CAMINHOS... Após os três primeiros estágios, vem a demonstração visível e sincera da conversão.

Quando se busca a face de Deus, necessariamente, há mudança de caminhos, de vida. Ninguém que possa continuar praticando as mesmas coisas ao buscar, de fato, a face de Deus. Quando o cristão e a IGREJA decidem buscar a Deus e O colocar como prioridade absoluta em todos os setores da vida, não resta alternativa, a não ser a “sede de povoar os céus”. A igreja começa a ir “pelos becos e valados” e convidar todos para a grande festa do Reino de Deus (Lucas 14:15-35).

Jamais, na história do avivamento, estes aconteceram sem que houvesse pessoas – e igrejas – que se quebrantaram humildemente diante da face de Deus. Não é a busca hipócrita de uma religiosidade hipócrita.  Mas uma busca insana de Deus, percorrendo os passos ditos a Salomão em II Crônicas 7:14: humilhar, orar, buscar a face e se afastar dos maus caminhos. Veja o que aconteceu no grande avivamento sob a liderança de Neemias (cap. 8) e o de pentecostes (Atos 2). Estude o avivamento no País de Gales sob a batuta de Evan Roberts; estude o avivamento da Escócia de John Knox. Leia sobre o avivamento das Ilhas Hébridas (ilhas do noroeste da Escócia) com as mensagens de Duncan Campbell. Sobre isso ele mesmo escreveu: “O avivamento é nem mais nem menos que o impacto da personalidade de Jesus Cristo sobre uma igreja ou comunidade. A área inteira se torna consciente de Deus”. Muitos outros avivamentos que aconteceram na história seguiram, rigorosamente, o critério de humilhar, orar, buscar a face de Deus e deixar os maus caminhos. 

Ao estudá-los, o leitor vai perceber que, quase sempre, estava acontecendo um grande chafurdamento moral e espiritual na comunidade, na igreja, no país. Porventura, não é isso que está acontecendo com a IGREJA nos dias de hoje? Não é essa a situação do querido Brasil? Grassa a imoralidade, o desamor, a modernidade... a falta da busca por Deus. É preciso que o povo que se chama cristão busque a face de Deus e clame: DEUS! SARA A NOSSA TERRA! JAMAIS EXISTIRÁ AVIVAMENTO ENQUANTO HOUVER FLERTE COM O PECADO.

  • DOS CÉUS O OUVIREI, PERDOAREI O SEU PECADO E CURAREI A SUA TERRA. Ouvirei, perdoarei e curarei... que tríade fantástica, todavia, condicionada a humilhar, orar, buscar a face de Deus e se afastar dos maus caminhos.

Os quatro pés da busca pelo avivamento (humilhar, orar, buscar e afastar do mal), é uma questão de decisão pessoal e da igreja. Amar o cônjuge por toda a vida é uma decisão independente das circunstâncias. Amar a Deus prioritariamente é uma decisão, independente das circunstâncias. Então, buscar o avivamento é uma decisão, independente das circunstâncias. Veja que, independente das circunstâncias essa decisão é tomada antecipadamente. Primeiro tomo a decisão de me humilhar, depois de orar, após vem a de buscar a face de Deus e abandonar o pecado. Aí Deus agirá. Não que Ele não possa agir antes. É que foi assim que Ele estabeleceu. Essa é a condição. 

O cristão quer uma vida santa? Quer buscar o avivamento? É preciso que haja uma decisão antecipada de um profundo relacionamento com Deus. Não há necessidade, nem possibilidade  de tergiversar. A igreja precisa entender que, simplesmente, é preciso agir. Humilhar, orar, buscar, afastar do mal... são verbos indicativos da necessidade ação e não de conversa. 

Se a igreja quer o verdadeiro avivamento é preciso, com urgência urgentíssima, começar a agir: humilhar-se, orar até ouvir Deus agir, buscar intensamente a face de Deus, afastar de tudo que possa estar afastando a igreja dessa busca e, aí então, Deus vai mover-se e promover um grande avivamento. O que falta? Verdadeiros homens e mulheres de Deus que estejam dispostos a pagar o preço para que o céu se encha! Apocalipse 3:20 foi um recado dado à igreja de Laodicéia (povo de Deus): “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele e ele comigo”. Deus continua do lado de fora de grande parte das igrejas. É preciso que estas se humilhem, orem, busquem mais a Deus e deixe tudo que está impedindo um verdadeiro avivamento que se estenda por toda nação brasileira. Quando isso acontecer, Deus ouvirá lá dos céus e perdoará todos os pecados e produzirá cura das pessoas, das famílias, das igrejas... e de toda a nação! JAMAIS HAVERÁ AVIVAMENTO SEM QUE DEUS OUÇA, PERDOE E CURE SEU POVO. 

Minha oração é: Senhor! Sara a nossa terra! Ela precisa de um avivamento total. Não são os eventos, os shows, nem as multidões que produzirão avivamento. Isso depende da minha atitude intencional, da atitude intencional da igreja em viver aquilo que Deus deu como condição para o avivamento verdadeiro: humilhar, orar, buscar e desviar. SENHOR! SARA NOSSA TERRA! AVIVA-NOS! Amém.




sábado, 9 de fevereiro de 2019

DEUS! SARA NOSSA TERRA (O Avivamento que a IGREJA Precisa) (Parte 1)





Têm-se ouvido amiúde de que a igreja evangélica precisa de avivamento. Verdade! Mas, e daí? Precisar de avivamento e dar condições para um verdadeiro avivamento são coisas diametralmente opostas... pelo menos na prática. Estes artigos vão percorrer esse caminho árido. Primeiro, quando aqui se coloca “a igreja”, não é referência a qualquer denominação de qualquer etiologia. Para este autor “a igreja” aqui, é referência exclusiva à verdadeira igreja firmada sobre a rocha Jesus Cristo. Não há dúvidas que há igrejas verdadeiras – embora sejam pouquíssimas – em qualquer denominação que tem a mensagem centrada exclusivamente na Bíblia e, por isso, Cristocêntrica. Isso implica em ter suas doutrinas hermenêutica e exegeticamente embasadas na verdade da Palavra de Deus. Só aí, escoimam-se milhares delas... infelizmente! (Quem tem inteligência e discernimento para entender... que entenda).  Então, o que NÃO é avivamento:

  • Emocionalismo. Aquele de pouca duração que é produzido apenas pela emoção sensacionalista. Esta termina no primeiro problema que aconteça após a saída do culto.

Emoção nunca foi evidência da presença de Deus, nem de avivamento. Aliás, a Bíblia diz que o culto precisa ser racional (Romanos 12:1 + I Coríntios 14: 09; 33; 40). Há pessoas que saltam, que caem no chão, que rolam, gritam, assoviam, fazem trenzinho e tantas outros descontroles emocionais. É muita criancice espiritual. Há falta de razão espiritual, pois, essas coisas – emocionais – são feitas em nome de um avivamento. Avivamento é encher os céus. 

  • Louvorzão e encontros. Adoração a Deus nada tem a ver com “louvorzões” e encontros.

Podem até ser congruentes... mas, jamais, louvores e encontros por si sós, significam adoração a Deus e, muito menos, avivamento. Os tais “encontros” no monte vêem de mentes que desconhecem a Onipresença de Deus (Jeremias 23:23-32). Os “louvorzões”, quase sempre, é um culto de catarse emocional. Estes fazem tão bem para o racional, quanto um show de um artista famoso, quer seja midiático ímpio ou “gospel”. Avivamento é fazer discípulos e não membros de igreja.

  • Multidão. Este autor nada tem contra multidões adorando a Deus. Totalmente a favor. Mas, o que é que se tem visto?

Normalmente, multidões se ajuntam para o “circo e o pão” (João 6:26; 30), pois não aguentam a verdade pura do evangelho de Cristo (João 6:60; 66). Shows de música gospel com “artistas” que passaram longe da genuína conversão. Milagres e mais milagres para pura exposição midiática, visando dinheiro. Essas multidões querem o pão material do evangelho... mas, não o pão verdadeiro (João 6:35-41). A questão não é a multidão se ajuntando. A questão é a motivação pela qual a multidão se ajunta. Não é para fazer discípulos. Avivamento é fazer diferença na vida das pessoas sob seu raio de influência.

  • Autoajuda. A igreja contemporânea, com honrosas exceções, tem muita palavra de autoajuda e nada de “carregar a cruz”.

O que se busca é prosperidade, é conforto emocional, é a vivência de um evangelho triunfalista que agrade o paladar espiritual da multidão. É a vivência do famoso “mergulhe e pule”. Mergulhe nas promessas e pule as ordenanças. Apenas há a busca das bênçãos... mas, não um compromisso sério com o Senhor de toda bênção. Odeia-se qualquer tipo de exortação. Há muitos melindres. Na verdade é um total desconhecimento do verdadeiro Deus (Oséias 4:6 e 6:3). Avivamento é colocar Deus como prioridade absoluta na vida.

  • Prosperidade. Ninguém é contra a prosperidade. Nem a Bíblia o é. Mas, enquanto a igreja não entender que Deus é melhor que tudo, haverá algo de profundamente errado.

Deus como Senhor e Salvador é para toda a eternidade. Por isso, Deus é muito melhor que bênçãos, que carros, que casas, que a cura de doenças. As pessoas vivem esperando bênçãos como mendigos que estendem as mãos esperando alguma moeda, alguma migalha. Sugiro ao leitor que leia o livro “Caçadores de Deus” (Tommy Tenney)¹. Tenho, pessoalmente, algumas discordâncias do conteúdo e, também, da teologia do avivalista americano. Todavia, é um livro precioso. Ele enfatiza que a igreja moderna vive a procura das mãos de Deus que trazem bênçãos... mas, não está disposta a entrar, buscar a face de Deus. Isso causaria uma tremenda mudança de vida. Poucos estão dispostos a um avivamento. Avivamento requer mudança radical do “modus operandis” da vida de cada pessoa.

  • Abundância de dons. Os dons são pessoais e dada pelo Espírito à cada pessoa... como Ele quer (I Coríntios 12:11). Todavia, somente são válidos se for para edificação/crescimento do Reino de Deus (estude I Coríntios 12).

Se aquele que receber de Deus dons e ufanar-se disso, se auto proclamando espiritual, para nada serve. O avivamento não é individual, precisa ser contagiante a todo o povo. Avivamento é algo muito além do que o uso pessoal de dons específicos. Há um poema de Myrtes Matias que diz que Deus não tem outras mãos senão as minhas. São os dons de cada pessoa que precisam ser unidos para que se busque um santo avivamento. Avivamento é a igreja unida para levar pessoas ao arrependimento. 

Jesus afirmou em Mateus 24:12: “Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará” (NVI). Muitos cristãos entendem ser este texto uma alusão direta ao mundo ímpio. Ledo engano. Desconhecimento do contexto. Todos aqueles que jamais se entregaram a Cristo como Senhor e Salvador têm possibilidade de um esfriamento do amor a Deus. Afinal, jamais O amaram de verdade. O conhecem culturalmente, ou por influência familiar, ou por influência religiosa qualquer. Todavia, somente aquele que teve um relacionamento verdadeiro com Cristo, deixa esfriar esse amor.  São os cristãos verdadeiros, que receberam o amor do Pai que, por fatores diversos, esfriaram esse amor. Foi isso que disse Cristo, pela pena de João, em Apocalipse 2:4: “... você abandonou o primeiro amor”.

Avivamento verdadeiro só acontecerá se a igreja aprender a dependência total de Deus, ou seja, quando cada discípulo entender que é preciso “buscar primeiro o Reino de Deus e Sua Justiça” (Mateus 6:33). É prioridade absoluta para o senhorio de Cristo. A vontade pessoal precisa ser extirpada para que a soberana vontade de Deus seja plenamente satisfeita em cada cristão. Por isso que Jesus fez a solene pergunta: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (Lucas 6:46). Jesus é “o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8 NVI)... então, por que a maioria das igrejas faz menos falta nas cidades e bairros do que uma padaria que se fecha e a população sente falta do “pão nosso de cada dia”? Falta o avivamento pessoal e da igreja. Simples assim.

Avivamento deve ser o estado permanente da igreja, ensejado pela profusa abundância do Espírito Santo, quando buscado de todo coração. Isso causa o verdadeiro mover do Espírito, energizando a vida espiritual individual e, consequentemente, da igreja. Avivamento é cada cristão anelando e buscando os “frutos do Espírito” (Gálatas 5:16-18; 22-26). Avivamento é produzido por cristãos sedentos de aprender da Bíblia todos os dias e, colocar em prática cada ordem de Jesus Cristo. Avivamento é cada cristão tomando sua cruz, colocar a mão no arado e não olhar para trás... porque os campos estão prontos para a colheita. Avivamento é, acima de tudo, o desejo insano da igreja de povoar os céus, fazendo discípulos e não membros de igreja. 

Tudo isso será impossível sem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Santificação exige arrependimento e confissão de pecados que leve o cristão a uma vida de total subserviência ao senhorio de Cristo. Verdade é que muitas vidas nas igrejas estão na UTI agonizantes. Estão ingerindo alimento espiritual estragado, anacrônico, inconsistente com a Palavra de Deus. Alimento dado por falsos pastores, apóstolos, bispos e quejandos. Líderes que – conscientes ou não – levam suas “ovelhas” por caminhos ínvios cujo final é o báratro. Somente uma igreja santificada abalará as portas do inferno e o avivamento acontecerá.

Mas, como fazer isso? Quais os meios? Que caminho a Bíblia aponta? Sim, a Bíblia sempre tem a resposta que o verdadeiro cristão precisa. No próximo artigo a Bíblia será conspurcada com mais profundidade para responder: Qual o avivamento que a IGREJA precisa? Amém
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1.      Posso enviar um cópia (ebook) do livro ao leitor. Basta pedir por e-mail ou deixar seu e-mail nos comentários.

CARNAVAL 2020! O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA!

Neste artigo vou ser mais intimista. Vou usar o pronome na primeira pessoa. Normalmente não falo ou escrevo sobre aquilo que não sei, ...